Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 111 de 247

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Mulheres

Marshall virou-se e estendeu-me a chave. «É…

Marshall virou-se e estendeu-me a chave. «É o quarto 1010, o antigo quarto dajanis Joplin.»

«Obrigado.»

«Muitos e grandes artistas ficaram no 1010.»

Ele acompanhou-nos até ao pequeno elevador.

«A leitura é às 8. Venho buscar-vos às sete e meia. Estamos a vender alguns lugares em pé, mas tenho tido cuidado por causa das saídas de emergência.»

«Marshall, onde é a loja de bebidas mais próxima?»

«No rés-do-chão, à direita.»

Despedimo-nos de Marshall e subimos de elevador.

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Na noite da leitura, que teve lugar na igreja de St. Mark, estava muito calor. Eu e Tammie estávamos sentados no vestiário. Tammie encontrou um grande espelho na parede e começou a pentear-se. Marshall levou-me para o fundo da igreja. Nas traseiras, havia um cemitério. Pequenas lápides em cimento estavam por terra e tinham inscrições gravadas. Marshall levou-me a dar uma volta e mostrou-me as inscrições. Antes duma leitura eu ficava sempre nervoso, muito tenso e infeliz. Vomitava quase sempre. Foi o que fiz. Vomitei sobre uma das campas.

«Você acaba de vomitar sobre Peter Stuyvesant», disse Marshall.

Voltei ao vestiário. Tammie continuava a mirar-se ao espelho. Olhava para o rosto e para o corpo, mas estava sobretudo preocupada com os seus cabelos. Puxava-os até acima da cabeça, olhava para eles e deixava-os cair.

Marshall meteu a cabeça no vestiário. «Vamos, estão à espera!»

«A Tammie ainda não está pronta», disse-lhe eu.

Uma vez mais, ela puxou os cabelos até acima da cabeça e mirou-se. Depois deixou-os cair. Aproximou-se do espelho e olhou para os seus olhos.

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Marshall bateu à porta e entrou. «Vamos, Chinaski!»

«Vamos, Tammie, anda.»

«Está bem.»

Saí com Tammie atrás de mini. Começaram a aplaudir. A merda do velho Chinaski ainda funcionava. Tammie desceu para a sala e comecei a ler. Eu tinha muitas cervejas num balde com gelo. Li poemas antigos e novos. Não podia falhar. St. Mark na cruz ajudou-me.

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Voltámos para o 1010. Já tinha o cheque. Disse na recepção que não queríamos ser incomodados. Tammie e eu sentámo-nos a beber. Eu tinha lido cinco ou seis poemas de amor que lhe diziam respeito.

«Eles sabiam que era eu», disse ela. «Ri-me, por vezes. Foi embaraçoso.»

Eles não fizeram uma grande descoberta ao saberem que se tratava dela. Resplandecia sexo por todos os poros. Mesmo as baratas, as formigas e as moscas queriam fodê-la.

Bateram à porta. Duas pessoas intrometeram-se, um poeta e a sua mulher. O poeta chamava-se Morse Jenkins, natural de Vermont. A sua mulher era Sadie Everet. Trazia consigo quatro garrafas de cerveja.

Ele calçava sandálias e vestia uns jeans velhos; trazia braceletes de turquesa, um colar à volta do pescoço; tinha barba e cabelos compridos e uma camisa cor de laranja. Falava ininterruptamente. E andava às voltas pelo quarto.

Há um problema com os escritores. Se o que ele escreve se vende bastante, muitos exemplares, ele pensa que é um génio. Se o que ele escreve se vende medianamente, ele diz-se genial. Se o que ele escreve é publicado mas se vende mal, ele diz-se genial. Se o que ele escreve não é publicado e não tem dinheiro suficiente para publicar ele próprio, então diz que é mesmo genial. A verdade, contudo, é que há muito pouco génio. E quase inexistente, invisível. Mas podemos ter a certeza de que os piores

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