Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 82 de 247

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Mulheres

«Você é Henry Chinaski?»

«Sim.»

«A minha namorada adora os seus livros. Hoje é o aniversário dela e eu disse-lhe que ia telefonar para si. Ficámos surpreendidas por encontrar o seu número na lista telefónica.»

«Sim, estou lá.»

«Bem, como é o aniversário dela, pensei que seria giro se pudéssemos ir aí.»

«Está bem.»

«Eu disse a Arlene que você provavelmente teria a casa cheia de mulheres.»

«Sou um eremita.»

«Então podemos ir aí?»

Dei-lhe a morada e indicações.

«Só uma coisa, estou sem cerveja.»

«Nós levamos alguma cerveja. Chamo-me Tammie.»

«Já passa das duas horas.»

«Havemos de encontrar cerveja. Os decotes podem fazer maravilhas.»

Vinte minutos mais tarde, elas chegaram, decotadas mas sem cerveja.

«Aquele filho da puta», disse Arlene, «nunca se recusou a servir-nos. Mas desta vez parece que teve medo.»

«Que se vá foder», disse Tammie.

Sentaram-se antes de dizerem as idades.

«Tenho trinta e dois anos», disse Arlene.

«Tenho vinte e três», disse Tammie.

«Juntem as vossas idades e terão a minha.»

Arlene tinha longos cabelos negros. Sentada na cadeira perto da janela, penteava-se e maquilhava-se, olhando-se num grande espelho de prata, e falava. Tinha, sem dúvida, tomado comprimidos. Tammie tinha um corpo quase perfeito e compridos cabelos ruivos, naturais. Também tinha tomado comprimidos, mas não voava tanto.

«Custar-lhe-á cem dólares um pouco do eu», disse-me Tammie.

«Passo.»

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