Mulheres
«Pois, é um tipo mesmo porreiro. Está…
«Sim, o careca.»
«Pois, é um tipo mesmo porreiro. Está apaixonado por mim. Traz-me flores e chocolate. Quer casar comigo. Tem sido de facto porreiro. E uma noite fui para casa com ele. Podemos.»
«Está bem.»
«E depois há o Barney, é casado, mas gosto dele. De todos os gajos que frequentam o bar, foi o único que nunca tentou engatar-me. Isso fascinou-me. Sabes, agora ando a tentar vender a minha casa. Ele foi vê-la numa tarde. Só de passagem. Disse-me que queria vê-la para um dos amigos. Deixei-o entrar. Bem, chegou na altura exacta. Os miúdos estavam na escola e deixei-o avançar... Depois, numa noite, entrou um estranho no bar. Propôs-se acompanhar-me até casa. Recusei. Depois disse-me que só queria sentar-se ao meu lado, no carro, e falar comigo. Disse que sim. Sentámo-nos no carro, conversámos. Depois fumámos um charro. Beijou-me. Foi o beijo que me fez decidir. Se ele não me tivesse beijado, não teria nunca dormido com ele. E agora que estou grávida, não sei quem é o pai. Tenho de esperar e ver com quem é parecida a criança.»
«Está bem, Lydia, boa sorte.»
«Obrigada.»
Desliguei. Um minuto depois, o telefone voltou a tocar. Era Lydia.
«Oh, e ÍM como vais?»
«Sempre na mesma, cavalos e pifos.»
«Então está tudo bem contigo?»
«Nem tudo.»
«Então o que há?»
«Bem, mandei uma mulher buscar champanhe...»
«Uma mulher?»
«Bem, rapariga...»
«Uma rapariga?»
«Dei-lhe vinte dólares para comprar champanhe e ainda não voltou. Penso que fui levado.»
«Chinaski, não quero ouvir falar nas tuas mulheres. Compreendes?»
«Muito bem.»
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