Mulheres
«É uma canção da Segunda Guerra Mundial.…
«É uma canção da Segunda Guerra Mundial. E havia esta: ”Não te sentes sob a macieira com mais ninguém a não ser comigo”.»
«Hank, estás a dizer baboseiras...», disse Sara.
«Bebe outro copo, Edie», disse, e servi-lhe.
«Os homens são uma merda\», continuou ela. «No outro dia fui a um bar. Estava com quatro tipos, amigos íntimos. Estávamos sentados a divertir-nos, ninguém chateava ninguém. Depois apeteceu-me jogar bilhar. Gosto de jogar bilhar. Acho que quando uma mulher joga ao bilhar mostra o seu encanto.»
«Não sei jogar bilhar», disse eu. «Rasgo sempre o pano. E não sou uma senhora.»
«Em todo o caso, quando me aproximei da mesa, estava um gajo a jogar. Aproximei-me dele e disse-lhe: ”Olha, já estás a jogar há bastante tempo. Chateias-te se nos deixares jogar?”. Ele virou-se e olhou para mim. Ficou calado. Depois fez um sorriso de escarnia e disse: ”Está bem”.»
Edie animou-se, dava pulos enquanto falava e eu ia olhando para ela.
«Eu voltei e disse aos meus amigos: ”Já temos mesa”. O outro tipo estava a jogar a última bola quando veio um amigo dele e disse: ”Eh, Ernie, ouvi dizer que passaste a mesa”. E sabes o que é que ele respondeu? ”Sim, vou passá-la àquela puta!” Eu ouvi aquilo e fiquei FURIOSA! O tipo debruçou-se sobre o pano para enfiar a última bola. Agarrei num taco e enquanto ele estava inclinado, dei-lhe com ele na cabeça com todas as minhas forças. O tipo caiu por cima do pano como se estivesse morto. Ele era conhecido lá no bar e um grupo de amigos veio a correr, ao mesmo tempo que os meus quatro companheiros. Rapaz, que zaragatai Voaram garrafas, os espelhos partiram-se... Não sei como nos safámos, mas conseguimos. Tens alguma erva?»
«Sim, mas não sei enrolar muito bem.» «Eu faço isso!»
Edie fez um charro fino e apertado, como uma profissional. Deu uma passa, aspirou e passou-mo.
«Voltei ao bar na noite seguinte, sozinha. O dono, que também era o barman, reconheceu-me. Chama-se Claude. ”Clau-
288 de”, disse eu, ”desculpa por aquilo que se passou ontem, mas aquele gajo era um cabrão. Chamou-me puta”.»
Servi mais uma rodada. Mais alguns minutos e os seus seios haviam de saltar.
«O dono do bar disse: ”OK, esquece isso”. Pareceu-me um tipo porreiro. ”O que vais beber?”, perguntou-me. Bebi dois ou três copos à borla e depois ele disse-me: ”Sabes, preciso duma outra empregada.”»
Edie deu mais um passo e continuou.
«Falou-me da outra empregada: ”Ela atraía os homens mas arranjava imensos problemas. Punha os tipos uns contra os outros. Estava sempre a fazer teatro. Depois descobri que ela andava a mentir-me. Andava a usar o MEU bar para oferecer a rata!”.»
«A sério?», perguntou Sara.
«Foi o que ele disse. Em todo o caso, ele ofereceu-me o lugar. E disse: ”E nada de golpes!”. Eu disse-lhe para parar de dizer disparates, que eu não era desse género. Pensei que finalmente podia arranjar dinheiro para entrar no V.C.L.A. e tornar-me química e aprender francês, que é o que sempre desejei. Depois ele disse: ”Vem cá atras, quero mostrar-te onde guardamos o stock e quero que experimentes um vestido. Nunca foi usado e acho que te serve”. Entrei num pequeno e escuro quarto e ele tentou agarrar-me. Empurrei-o. Ele disse: ”Dá-me só um beijinho”. ”Vai-te foder!”, disse eu. Ele era careca, gordo, baixo, tinha dentes postiços, verrugas pretas e pêlos nas bochechas. Correu atrás de mim e com uma das mãos agarrou-me no eu e com a outra um pouco do seio, enquanto tentava beijar-me. Empurrei-o outra vez. ”Eu tenho mulher”, disse ele, ”amo a minha mulher, não te preocupes!.” Correu outra vez atrás de mim e dei-lhe um pontapé, vocês sabem onde. Acho que ele não tinha lá nada, porque nem sequer vacilou. ”Eu dou-te dinheiro”, disse ele. ”Serei bom para ti!” Disse-lhe que se fosse foder. E assim perdi mais um emprego.»
«É uma história triste», disse eu.
«Bem, tenho de ir. Feliz Natal. Obrigada pelas bebidas.»
Levantou-se e acompanhei-a até à porta. Desceu a álea. Entrei e sentei-me.
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«Filho da puta», disse Sara.
«O que é que foi?»
«Se eu não estivesse aqui, tê-la-ias fodido.»
«Eu nem sequer a conheço.»
«Aquelas tetas todas! Estavas aterrorizado! Até tinhas medo de olhar para ela!»
«O que é que ela andava a fazer numa noite de Natal?»
«Porque não lhe perguntaste?»
«Ela disse que andava à procura de Bobby.»
«Se eu cá não estivesse, tê-la-ias fodido.»
«Não sei. Não tenho possibilidades de saber...»
Sara levantou-se e gritou. Começou a soluçar e correu para o outro quarto. Servi-me dum copo. Nas paredes, as gambiarras acendiam e apagavam.
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Eu estava sentado na cozinha a conversar com Sara, enquanto ela preparava o peru. Bebíamos vinho branco.
O telefone tocou. Fui atender. Era Debra. «Só queria desejar-te um feliz Natal, beberrolas.»
«Obrigado, Debra. E para ti também.»
Falámos durante algum tempo, voltei para a cozinha e sentei-me.
«Quem era?»
«Debra.»
«Como está ela?»
«Acho que está bem.»
«O que é que ela queria?»
«Desejou-me um feliz Natal.»
«Vais gostar deste peru e das miudezas também. As pessoas comem veneno, veneno puro. A América é um dos poucos países onde o cancro do cólon está mais espalhado.»
«Sim, tenho muita comichão no eu, mas é por causa das hemorróidas. Já fui operado uma vez. Antes da operação, eles metem-nos uma espécie de serpente nos intestinos com uma pe-
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