Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 13 de 247

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Mulheres

Lydia levantou-se e dirigiu-se para a outra…

Lydia levantou-se e dirigiu-se para a outra sala. Voltou com um lápis e um bocado de papel. «Presta atenção, quero mostrar-te uma coisa.» Começou a desenhar no papel. «Isto é uma cona, e aqui está algo de que provavelmente nada sabes - o clitóris. E onde está toda a sensibilidade. O clitóris esconde-se, vês, sai de quando em quando, é cor-de-rosa e muito sensível. Por vezes esconder-se-á de ti e tu terás de o encontrar, tocando-o apenas com a ponta da tua língua...»

«OK», disse, «já percebi.»

«Não acredito que o consigas fazer. Já te disse, não se consegue ensinar novos truques a um cão velho.»

«Vamo-nos despir e deitar.»

Despimo-nos e estendemo-nos. Comecei a beijar Lydia. Desci dos seus lábios para o pescoço, do pescoço para os seios. Depois desci até ao umbigo. E ainda mais abaixo.

«Não, não consegues», disse ela. «O sangue e o mijo saem por aí, pensa nisso, o sangue e o mijo...»

Cheguei lá abaixo e comecei a lamber. O seu desenho era fiel à realidade. Tudo estava no seu devido lugar. Ouvi a sua respiração acelerar, e depois gemidos. Aquilo excitava-me. Entesei-me. O clitóris saiu mas não era exactamente cor-de-rosa, era rosa púrpura. Brinquei com o clitóris. Os líquidos apareceram e misturaram-se com os pêlos da cona. Lydia gemia cada vez mais. Então ouvi abrir e fechar-se a porta da frente. Ouvi passos. Olhei para cima. Um rapazito negro com cerca de 5 anos ficou em pé, ao lado da cama.

«O que é que tu queres?», perguntei-lhe.

«Tem garrafas vazias?», perguntou-me ele.

«Não, não tenho garrafas vazias», disse eu. Saiu do quarto, atravessou a sala da frente e saiu porta fora.

«Meu Deus», disse Lydia, «pensei que a porta da frente estivesse fechada à chave. Era o filho de Bonnie.»

Lydia levantou-se e fechou a porta à chave. Voltou e deitou-se. Eram cerca de quatro horas de sábado. Mergulhei de novo na sua gata.

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Lydia gostava de festas. E Harry era um excelente anfitrião. Portanto, fomos para casa de Harry Ascot. Harry era o editor de Retort, uma pequena revista. A sua mulher vestia longos vestidos transparentes, mostrava as suas calcinhas aos homens e andava descalça.

«A primeira coisa que eu gostei em ti», disse Lydia, «foi não teres uma televisão em tua casa. O meu ex-marido via televisão todas as noites e durante todo o fim-de-semana. Tínhamos até que fazer amor em função dos horários dos programas.»

«Hum...»

«Outra coisa que me agradou em tua casa foi a imundície. Garrafas de cerveja pelo chão. Montes de lixo por toda a parte. Pratos sujos, detritos de merda na casa-de-banho e gordura na banheira. E todas aquelas enferrujadas lâminas de barbear espalhadas no lavatório. Eu sabia que tu havias de comer a gatinha.»

«Tu julgas um homem pelo que está à sua volta, não é?»

«Claro. Quando vejo um homem com uma casa limpa, sei que há qualquer coisa que está mal. E se for demasiado limpa, é porque é bicha.»

Chegámos e saímos do carro. O apartamento era no primeiro andar. A música estava alta. Toquei a campainha. Harry Ascot veio abrir a porta. Tinha um sorriso doce e generoso. «Entrem.»

Toda a fauna literária estava presente, a beber vinho, cerveja, a conversar em pequenos grupos, Lydia estava excitada. Olhei em volta e sentei-me. O jantar ia ser servido. Harry era um bom pescador, era melhor pescador que escritor, e muito melhor pescador do que editor. Os Ascot viviam da pesca, enquanto esperavam que os talentos literários de Harry começassem a trazer algum dinheiro.

Diana, sua mulher, entrou com os pratos de peixe e passou-os à volta. Lydia sentou-se ao pé de mim.

«Olha, é assim que se come peixe. Sou uma rapariga do campo. Repara.»

Abriu o peixe, e fez qualquer coisa na espinha com a faca. O peixe separou-se em dois bocados escorreitos.

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«Oh, surpreendente», disse Diana. «De onde é que disse que era?»

«De Utah, Muleshead, Utah. Com cem habitantes. Cresci num rancho. O meu pai era bêbado. Já morreu. Talvez por isso eu esteja com ele...» Ela apontou com o dedo para mim.

Comemos.

Após ter-se comido o peixe, Diana levou as espinhas. Depois veio bolo de chocolate e um forte (e barato) vinho tinto.

«Oh, este bolo é óptimo», disse Lydia, «posso comer outra fatia?.»

«Claro, querida», respondeu Diana.

«Senhor Chinaski», disse uma rapariga de cabelos escuros, do outro lado da sala, «li traduções dos seus livros na Alemanha. Você é muito conhecido na Alemanha.»

«Ainda bem», disse. «Espero que eles me enviem algum dinheiro dos direitos...»

«Por favor», disse Lydia, «não vamos falar sobre essas merdas literárias. Façamos qualquer coisa!» Ela deu um pulo e pôs-se a menear as ancas. «VAMOS DANÇAR!»

Harry Ascot pôs o seu meigo e generoso sorriso, e foi aumentar o som da aparelhagem. Pôs o máximo.

Lydia dançava à volta da sala, e um jovem rapaz loiro com caracóis que se colavam à testa juntou-se a ela.

Começaram a dançar juntos. Outros levantaram-se para dançar. Eu fiquei sentado.

Randy Evans estava sentado ao meu lado. Pude ver que também ele olhava para Lydia. Começou a falar. Falava sem parar. Felizmente eu não conseguia ouvi-lo, a música estava muito alta.

Eu olhava para Lydia a dançar com o rapaz dos caracóis. Lydia estava num frenesim. Os seus movimentos eram quase sexuais. Olhei para as outras raparigas e não me pareceu que dançassem da mesma maneira, mas, pensei eu, é porque eu conheço Lydia e não conheço as outras.

Randy continuava a falar, embora eu não lhe respondesse. A dança terminou e Lydia veio sentar-se ao meu lado.

«Oh, estou arrasada! Acho que não estou em forma.»

Um outro disco caiu no prato, Lydia levantou-se e juntou-se

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