Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 141 de 247

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Mulheres

«Nada disso, o Bill teria compreendido. Só…

«Nada disso, o Bill teria compreendido. Só não sei o que dizer para te ajudar. Estou sob o choque. Deixa-me telefonar-te mais tarde para saber se estás bem.»

«Telefonas mesmo?»

«Claro.»

É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.

Doente e infeliz como ele estava, não tinha cara de quem ia morrer. Havia muitas mortes assim e, apesar de conhecermos a morte e de nela pensarmos quase todos os dias, quando alguém morre subitamente e se trata de alguém excepcional, amável, é duro, muito duro, mesmo quando muitas pessoas tenham já morrido, boas, más ou desconhecidas.

Nessa noite telefonei a Cecelia. Voltei a telefonar-lhe nas duas noites seguintes e depois parei de lhe telefonar.

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Passou-se um mês. R. A. Dwight, o editor da Dogbite Press, escreveu-me para me pedir um prefácio para uma escolha de poemas de Keesing. Graças à sua morte, ia finalmente ser conhecido para além da Austrália.

Cecelia telefonou. «Hank, vou a San Francisco para estar com R. A. Dwight. Mas antes gostaria de passar um ou dois dias em L. A. Podes ir buscar-me ao aeroporto?»

«Claro, podes ficar em minha casa, Cecelia.»

«Muito obrigada.»

Deu-me a sua hora de chegada e pus-me a limpar a casa-de-banho, esfreguei a banheira e mudei os lençóis e as fronhas da minha cama.

Cecelia chegou no voo das dez horas da manhã, o que me custou imenso para chegar a horas, mas ela estava óptima, se

187 bem que um pouco espalhafatosa. Era vigorosa, bem feita, com aquele ar do Mid-West. Os homens olhavam-na, ela tinha uma maneira própria de menear o traseiro; tinha um perfil enérgico, um pouco ameaçador, mas sexy.

Esperámos pela bagagem no bar. Cecelia não bebeu álcool. Tomou um sumo de laranja.

«Adoro os aeroportos e os passageiros. Tu, não?»

«Não.»

«As pessoas parecem tão interessantes.»

«Têm mais dinheiro do que os que viajam de comboio ou autocarro.»

«Sobrevoámos o Grand Canyon.»

«Sim, fica a caminho.»

«Estas hospedeiras trazem saias bastante curtas! Olha, vêem-se as calcinhas.»

«Uma boa gratificação. Todas elas vivem em condomínios e guiam MG.»

«As pessoas do avião eram tão simpáticas. O homem da cadeira ao lado da minha ofereceu-se para me comprar uma bebida.»

«Vamos buscar a bagagem.»

«R. A. telefonou para me dizer que tinha recebido o teu prefácio para os poemas do Bill. Leu-me partes pelo telefone. Era bonito. Quero agradecer-te.»

«Esquece isso.»

«Não sei como agradecer-te.»

«Tens a certeza de que não queres beber?»

«Bebo raramente. Talvez mais tarde.»

«O que preferes? Vou comprar qualquer coisa para quando chegarmos a casa. Quero que te sintas confortável e à vontade.»

«Tenho a certeza que Bill está a ver-nos neste momento e que está feliz por nos ver juntos.»

«Achas que sim?»

«Sim!»

Agarrámos na bagagem e dirigimo-nos para o parque de estacionamento.

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