Mulheres
«Nada disso, o Bill teria compreendido. Só…
«Nada disso, o Bill teria compreendido. Só não sei o que dizer para te ajudar. Estou sob o choque. Deixa-me telefonar-te mais tarde para saber se estás bem.»
«Telefonas mesmo?»
«Claro.»
É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.
Doente e infeliz como ele estava, não tinha cara de quem ia morrer. Havia muitas mortes assim e, apesar de conhecermos a morte e de nela pensarmos quase todos os dias, quando alguém morre subitamente e se trata de alguém excepcional, amável, é duro, muito duro, mesmo quando muitas pessoas tenham já morrido, boas, más ou desconhecidas.
Nessa noite telefonei a Cecelia. Voltei a telefonar-lhe nas duas noites seguintes e depois parei de lhe telefonar.
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Passou-se um mês. R. A. Dwight, o editor da Dogbite Press, escreveu-me para me pedir um prefácio para uma escolha de poemas de Keesing. Graças à sua morte, ia finalmente ser conhecido para além da Austrália.
Cecelia telefonou. «Hank, vou a San Francisco para estar com R. A. Dwight. Mas antes gostaria de passar um ou dois dias em L. A. Podes ir buscar-me ao aeroporto?»
«Claro, podes ficar em minha casa, Cecelia.»
«Muito obrigada.»
Deu-me a sua hora de chegada e pus-me a limpar a casa-de-banho, esfreguei a banheira e mudei os lençóis e as fronhas da minha cama.
Cecelia chegou no voo das dez horas da manhã, o que me custou imenso para chegar a horas, mas ela estava óptima, se
187 bem que um pouco espalhafatosa. Era vigorosa, bem feita, com aquele ar do Mid-West. Os homens olhavam-na, ela tinha uma maneira própria de menear o traseiro; tinha um perfil enérgico, um pouco ameaçador, mas sexy.
Esperámos pela bagagem no bar. Cecelia não bebeu álcool. Tomou um sumo de laranja.
«Adoro os aeroportos e os passageiros. Tu, não?»
«Não.»
«As pessoas parecem tão interessantes.»
«Têm mais dinheiro do que os que viajam de comboio ou autocarro.»
«Sobrevoámos o Grand Canyon.»
«Sim, fica a caminho.»
«Estas hospedeiras trazem saias bastante curtas! Olha, vêem-se as calcinhas.»
«Uma boa gratificação. Todas elas vivem em condomínios e guiam MG.»
«As pessoas do avião eram tão simpáticas. O homem da cadeira ao lado da minha ofereceu-se para me comprar uma bebida.»
«Vamos buscar a bagagem.»
«R. A. telefonou para me dizer que tinha recebido o teu prefácio para os poemas do Bill. Leu-me partes pelo telefone. Era bonito. Quero agradecer-te.»
«Esquece isso.»
«Não sei como agradecer-te.»
«Tens a certeza de que não queres beber?»
«Bebo raramente. Talvez mais tarde.»
«O que preferes? Vou comprar qualquer coisa para quando chegarmos a casa. Quero que te sintas confortável e à vontade.»
«Tenho a certeza que Bill está a ver-nos neste momento e que está feliz por nos ver juntos.»
«Achas que sim?»
«Sim!»
Agarrámos na bagagem e dirigimo-nos para o parque de estacionamento.
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