Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 216 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Ela deu-me dois números de telefone, um…

Ela deu-me dois números de telefone, um do emprego e o outro de casa. Eram cerca das duas e meia da tarde. Marquei o número do emprego. «Sim?», respondeu uma mulher.

«A Valência está?»

«Sou a Valência.»

«Daqui Chinaski. Recebi a tua carta.»

«Tinha a certeza que havias de telefonar.»

«Tens uma voz sexy», disse eu.

«Tu também», disse ela.

«Quando é que te posso ver?»

«Bem, esta noite não faço nada.»

«OK. E que tal hoje à noite?»

«Está bem», disse ela, «vejo-te depois do trabalho. Podes encontrar-me no The Foxhole, é um bar em Cahuenga Boulevard. Sabes onde é?»

«Sim.»

«Estarei lá por volta das seis horas...»

Estacionei em frente do The Foxhole. Acendi um cigarro e fiquei sentado durante um tempo. Depois saí do carro e entrei no bar. Qual delas era Valência? Fiquei ali em pé e ninguém disse nada. Dirigi-me ao balcão e pedi um vodka 7 duplo. Depois ouvi o meu nome, «Henry?».

Voltei-me e vi uma loira sentada sozinha num banco. Agarrei na minha bebida e sentei-me junto dela. Tinha cerca de 38 anos e não era bem feita. Era um pouco gorda. Os seios eram enormes e descaíam penosamente. Tinha os cabelos loiros curtos. Era pesada e parecia cansada. Vestia calças, uma blusa e calçava botas. Tinha olhos azuis pálidos. Muitas pulseiras em cada braço. O seu rosto nada revelava, mas, apesar de tudo, deve ter sido bonita.

«Foi um dia mesmo lixado», disse ela. «Não parei de escrever na puta da máquina.»

«Podemo-nos encontrar noutra noite, quando te sentires melhor», disse eu. «Ah, merda, não há problema. Mais um copo e fico bem.»

Valência chamou a empregada: «Mais um copo de vinho».

Ela estava a beber vinho branco.

280