Mulheres
Voltei para o meu quarto. Cecelia estava…
Voltei para o meu quarto. Cecelia estava deitada de costas e ressonava - «Guzzz, guzzz, guzzz...»
Pareceu-me gorda. Tirei os calções molhados e meti-me na cama. Abanei-a.
«Cecelia, estás a RESSONAR!»
«Ooooh... Ooooh... desculpa...»
«OK, Cecelia. Até parece que somos casados. Fodo-te logo de manhã, quando eu estiver fresco.»
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Um ruído acordou-me. Ainda não amanhecia. Cecelia ia e vinha pelo quarto, enquanto se vestia.
Olhei para o relógio. «São cinco horas da manhã. O que estás a fazer?»
«Quero ver o sol nascer. Adoro o amanhecer!»
«Não admira que não bebas.»
«Eu volto. Podemos tomar o pequeno-almoço juntos.»
«Há quarenta anos que não tomo o pequeno-almoço.»
«Vou ver o sol nascer, Hank.»
Encontrei uma garrafa de cerveja cheia. Estava quente. Abri-a e bebi-a. Depois voltei a dormir.
Às dez e meia bateram à porta. «Entre.»
Era Bobby, Valerie e Cecelia.
«Acabámos de tomar o pequeno-almoço», disse Bobby. «Agora a Cecelia quer descalçar-se e passear descalça na praia», disse Valerie.
«Nunca tinha visto o oceano Pacífico, Hank! E tão lindo!» «Vou-me vestir...»
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Caminhámos à beira-mar. Cecelia estava feliz. Gritava quando as ondas rebentavam e lhe molhavam os pés.
«Continuem vocês os três», disse eu, «vou procurar um bar.» «Vou contigo», disse Bobby. «Fico com Cecelia.»
Encontrámos um bar próximo. Só havia dois bancos vazios. Sentámo-nos. Bobby atraiu um macho. Eu atraí uma fêmea. Pedimos as bebidas.
A mulher que estava ao meu lado devia ter 26, 27 anos. Estava já gasta - os olhos e a boca pareciam cansados -, mas apesar disso era atraente. Os cabelos eram escuros e estavam bem penteados. Vestia uma saia e as suas pernas eram boas. A sua alma era de topázio, e isso podia ver-se-lhe nos olhos. Encostei à sua a minha perna. Ela não se mexeu. Eu beberricava.
«Paga-me um copo», pedi-lhe.
Ela chamou o empregado. Ele veio.
«Um vodka 7para este senhor.»
«Obrigado...»
«Babette.»
«Obrigado, Babette. Chamo-me Henry Chinaski, escritor alcoólico.»
«Nunca ouvi falar.»
«É natural.»
«Tenho uma loja ao pé da praia. Bugigangas e porcarias, sobretudo porcarias.»
«Somos iguais. Escrevo imensa porcaria.»
«Se és assim tão mau escritor, porque não deixas de escrever?»
«Preciso de comer, dormir e vestir. Paga-me outro copo.»
Babette fez sinal ao empregado e bebi outro vodka 7.
Empernávamos.
«Sou como um rato», disse eu, «estou com prisão de ventre e incapaz de cagar.»
«Não sei nada dos teus intestinos. Mas tu és como um rato e
consegues cagar.»
«Qual é o teu número de telefone?»
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