Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 169 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Tirou duas. Das pretas. As melhores. Tomei…

Tirou duas. Das pretas. As melhores. Tomei a minha com o vinho.

«Tenho o melhor dealeràã. cidade. Nunca me engana», disse ela.

«Óptimo.»

«Já te viciaste alguma vez?»

«Experimentei coca durante algum tempo, mas não conseguia suportar a ressaca. No dia seguinte tinha medo de ir à cozinha porque havia lá uma faca de carniceiro. Além disso, 50 ou

75 notas por dia é muito para mim.»

«Tenho alguma coca.»

«Não quero.»

Serviu mais vinho.

Não sei porquê, mas com cada nova mulher, era como se fosse a primeira, como se eu nunca tivesse conhecido nenhuma. Beijei-a. Ao beijá-la, passei com a mão por todo aquele cabelo.

«Queres música?»

«Não, não me apetece.»

«Conheceste Dee Dee Bronson, não foi?», perguntou Cassie.

«Sim, já não a vejo há muito tempo.»

«Sabes o que lhe aconteceu?»

«Não.»

«Primeiro, perdeu o emprego e partiu para o México. Conheceu um toureiro já retirado das arenas. Toureiro esse que lhe fez a vida negra e lhe roubou o seguro de vida no valor de sete mil dólares.»

«Pobre Dee Dee: deixou-me para isso.»

Cassie levantou-se. Olhei para ela enquanto atravessava a sala. O seu eu apertado naquele vestido bamboleava e resplandecia. Voltou com mortalhas e alguma erva. Fez um charro.

«Depois teve um acidente de automóvel.»

«Ela não sabia conduzir. Tu conhece-la bem?»

«Não. Mas no nosso ramo sabem-se as notícias.»

«Vai ser difícil viver até tu morreres», disse eu.

Cassie passou-me o charro. «A tua vida parece perfeita», disse ela.

«A sério?»

223