Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 188 de 247

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Mulheres

la. Mechas do seu cabelo caíam-lhe na…

la. Mechas do seu cabelo caíam-lhe na cara. Não parava de meter o dedo na tigela e de o chupar.

«Olha», disse-lhe eu, «há mais pessoas a querer esse molho. Estás a meter-me nojo! Pára.»

«Não, eles enchem-no de novo.»

Desejei que eles de facto o enchessem para cada cliente. Quando a comida chegou, ela inclinou-se e atacou como um animal, exactamente como Lydia. Acabámos de comer e saímos; ela entrou para a sua carrinha e foi para o seu restaurante, e eu meti-me no Volks em direcção a Playa dei Rey. Tinham-me dado indicações detalhadas. As indicações eram confusas, mas segui-as e não tive problemas. Era quase desanimador porque parecia que, quando o stress e a loucura eram eliminados do meu quotidiano, pouco ficava a que me agarrar.

Estacionei no pátio de Debra. Vi movimentos por detrás dos estores. Saí do carro e certifiquei-me de que as duas portas estavam fechadas, pois o meu seguro havia expirado.

Toquei à campainha. Ela abriu a porta e parecia contente por me ver. Foi bonito, mas isto é o género de coisas que impedem um escritor de trabalhar.

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Não fiz nada de especial durante o resto da semana. O encontro de Oaktree continuava. Fui duas ou três vezes às corridas e não perdi nem ganhei. Escrevi uma história porca para uma revista pornográfica, escrevi dez ou doze poemas, masturbei-me e telefonei todas as noites para Sara e Debra. Uma noite telefonei para Cassie e respondeu-me um homem. Adeus, Cassie.

Pensei nas rupturas, nos problemas que elas causam, mas geralmente só depois duma ruptura é que se encontrava outra mulher. Eu devia prová-las para conhecê-las verdadeiramente, para entrar dentro delas. Podia inventar homens, porque eu era um deles, mas mulheres, para mim, era impossível imaginá-las sem conhecê-las. Eu explorava-as o melhor que podia e descobria seres humanos. A escrita podia ficar de lado. A escrita interessa-

247 va-me menos do que o encontro até este chegar ao fim. A escrita não era senão o resíduo. Um homem não precisava de possuir uma mulher para se sentir vivo, mas era bom conhecer algumas. Depois, quando a ligação começasse a falhar, ele saberia o que era realmente estar sozinho e desfeito, e assim teria consciência do que devia enfrentar quando chegasse ao fim.

Eu era sentimental em muitas coisas: a uns sapatos de mulher sob a cama; a um gancho abandonado sobre a cómoda; ao modo de dizer «vou fazer chichi...»; fitas do cabelo; descer a avenida com elas à uma e meia da tarde, apenas duas pessoas a caminhar; as longas noites em que se bebe, fuma e se conversa; os argumentos; pensar no suicídio; comermos juntos e sentirmo-nos bem; as brincadeiras e os risos absurdos; sentir milagres no ar; estarmos juntos dentro do carro estacionado; comparar antigos amores às três da manhã; dizerem-nos que ressonamos, ouvir o ressonar dela; mães, filhas, filhos, gatos, cães; por vezes a morte, por vezes o divórcio, mas continuar sempre; ler o jornal sozinho num quiosque e sentir náuseas por ela estar casada com um dentista com um Q.I. de 95; corridas de cavalos, os parques, ou piqueniques no parque; até cadeias; os sinistros amigos dela, os nossos amigos sinistros; os nossos copos e as danças dela; os teus engates; os engates dela; os comprimidos dela, as tuas fodas por fora e as dela; dormir juntos...

Não havia julgamentos a fazer, por isso devia escolher. Para lá do bem e do mal, era sedutor em teoria, mas para continuar a viver, era necessário escolher: algumas eram mais gentis que outras, algumas estavam sobretudo interessadas em nós, e por vezes as que eram bonitas por fora e frias por dentro eram também necessárias, apenas para as coisas chatas, exactamente como os filmes chatos. As mais simpáticas fodiam melhor e depois de se andar um pouco às voltas elas pareciam belas porque eram mesmo belas. Pensei em Sara, ela tinha esse quê a mais. Sobretudo se não existisse esse Drayer Baba para erguer o sinal para PARAR.

Chegou o aniversário de Sara, em 11 de Novembro, dia dos antigos combatentes. Encontrámo-nos ainda duas vezes, uma

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