Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 204 de 247

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Mulheres

poder escrever algo de bom. Quantos mais…

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poder escrever algo de bom. Quantos mais rios se atravessam, mais se sabe sobre rios - isto é, se se sobreviver à água e aos recifes. Por vezes, era bastante duro.

íris saiu. Trazia um vestido de noite azul, justo, que parecia seda. Não tinha nada de comum com as raparigas americanas, o que lhe dava um halo de mistério. Era completamente feminina, mas não atirava isso à cara. As americanas eram pesadas e acabavam geralmente num estado lamentável. As poucas americanas autênticas que ainda havia viviam sobretudo no Texas e em Louisiane.

íris sorriu-me. Tinha qualquer coisa em cada uma das mãos. Levantou os braços por cima da cabeça e começou a bater castanholas. Começou a dançar. Ou melhor, ela vibrava. Era como se estivesse ligada à corrente eléctrica e o centro da sua alma estivesse no seu ventre. Foi uma autêntica maravilha e tinha uma ponta de humor. Como ela não deixava de me olhar, a dança ganhou outro sentido, desprendiam-se benéficas ondas de ternura.

Quando ela parou, aplaudi e servi-lhe um copo.

«Não foi lá muito bem», disse. «Era necessário a roupa adequada e música.»

«Gostei bastante.»

«Eu estava para trazer uma gravação, mas lembrei-me que não tinhas gravador.»

«Tens razão. De qualquer maneira, foi óptimo.»

Dei-lhe um pequeno beijo.

«Porque não vens viver para Los Angeles?»

«As minhas raízes estão no Canadá. Gosto de lá estar. Os meus pais, os meus amigos, estão todos lá, compreendes?»

«Sim.»

«Porque não vais tu para Vancouver? Podias escrever em Vancouver.»

«Acho que sim. Podia escrever no cume dum iceberg.»

«Podias tentar.»

«O quê?»

«Vancouver.»

«E o que havia de pensar o teu pai?»

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