Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 203 de 247

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Mulheres

Desliguei a pensar que era provável que…

Desliguei a pensar que era provável que Valerie também gostasse de mulheres. Bem, não havia problema.

Enchi mais dois copos.

«Com quantas mulheres já te encontraste nos aeroportos?», perguntou íris.

«Não tantas como possas pensar.»

«Já perdeste a conta? Como dos teus livros?»

«A matemática é um dos meus pontos fracos.»

«Gostas de te encontrares com mulheres nos aeroportos?»

«Sim.» Não me lembrava de que íris falava muito.

«Seu sacana!», riu-se.

«A nossa primeira luta. Fizeste um voo agradável?»

«Sentei-me ao pé de um chato. Cometi o erro de o deixar pagar-me um copo. Falou até encher-me os ouvidos.»

«Devia estar excitado. És uma mulher sexy.»

«E tudo o que vês em mim?»

«Vejo muito disso. Talvez depois veja outras coisas.»

«Porque é que precisas de tantas mulheres?»

«E por causa da minha infância, percebes. Sem amor, sem afecto. E com vinte, trinta anos, tive muito pouco. Estou a tentar recuperar...»

«E saberás quando tiveres recuperado tudo?»

«O que eu sinto é que precisava, pelo menos, de mais uma vida.»

«Estás carregado de merda!»

Ri-me. «E por isso que escrevo.»

«Vou tomar banho e mudar de roupa.»

«Com certeza.»

Fui até à cozinha ver como estava o peru. Ele mostrava-me as pernas; os pêlos do púbis, as coxas; ali estava ele. Felizmente que não tinha olhos, íamos fazer qualquer coisa com aquilo. Seria a segunda etapa. Ouvi a água na casa-de-banho. Se íris não quisesse assá-lo, assava-o eu.

Quando era novo, andava sempre deprimido. Mas nunca encarei a possibilidade de suicídio. Na minha idade pouco havia para matar. Era bom ser-se velho, apesar do que diziam. Era razoável que um homem tivesse que esperar pelos 50 anos para

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