Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 178 de 247

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Mulheres

Vi uma loja de bebidas e comprei…

Vi uma loja de bebidas e comprei uma embalagem de cervejas. Voltei para o carro e entrei. A cerveja era boa. O carro estava estacionado no parque por detrás do antiquário. A rua à minha esquerda estava bloqueada pelo tráfego, e eu observava as pessoas que pacientemente esperavam dentro dos carros. A maioria eram homens e mulheres, olhavam sempre em frente e não falavam. Era, ao fim e ao cabo, para toda a gente, questão de esperar. Passava-se a vida à espera - no hospital, pelo médico, pelo canalizador, pela casa de loucos, pela prisão e a morte do próprio pai. Primeiro era o sinal encarnado, depois passava a verde. Os cidadãos do mundo corriam, viam televisão e preocupavam-se com os seus empregos e desempregos - e esperavam.

Comecei a pensar em Debra e Tessie no antiquário. De facto eu não gostava de Debra, mas estava a entrar na sua vida. Isso dava-me a sensação de ser um voyeur.

Fiquei sentado a beber a cerveja. Ia na última garrafa quando, por fim, saíram.

«Oh, Henry», disse Debra, «encontrei um tampo de mesa em mármore só por duzentos dólares!»

«É de facto fabuloso!», disse Tessie.

Entraram para o carro, fui à loja das bebidas e comprei três ou quatro garrafas de vinho e cigarros.

Aquela puta da Tessie com a saia curta e as meias de nylon, pensava eu enquanto pagava ao homem da loja. Aposto que ela andou pelo menos com uma dezena de homens bonitos sem sequer pensar nisso. Apercebi-me que o seu problema era não pensar. Ela não gostava de pensar. Estava certo, porque sobre isso não havia nem regras nem leis. Mas quando ela chegasse aos cinquenta, havia de começar a pensar! Então seria uma mulher amargurada, que, no supermercado, havia de bater com o saco das compras nas costas e nos tornozelos das pessoas que estavam na bicha para pagar, com os seus óculos escuros, o rosto esbaforido e infeliz, e o saco carregado com queijo, batatas fritas, costeletas de porco, cebola vermelha e uma garrafa de Jim Beam.

Voltei para o carro e fomos para casa de Debra. Elas sentaram-se. Abri uma garrafa e enchi três copos.

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«Henry», disse Debra, «vou buscar o Larry. Ele vai levar-me na carrinha dele para irmos buscar a mesa. Não precisas de vir, não ficas contente?»

«Sim.»

«A Tessie faz-te companhia.»

«Está bem.»

«Vocês os dois, portem-se bem!»

Larry chegou pela porta de trás e saiu pela da frente com Debra. Larry aqueceu o motor da carrinha e partiram.

«Bem, estamos sós», disse eu.

«E verdade», disse Tessie. Ela estava sentada muito direita e olhava em frente. Acabei o meu copo e fui mijar à casa-de-banho. No meu regresso, Tessie continuava sentada, muito quieta.

Fui por detrás do sofá. Agarrei-a pelo queixo e levantei-lhe o rosto, encostei a minha boca na dela. Ela tinha uma cabeça grande. Tinha os olhos pintados de púrpura e cheirava a sumo de fruta rançoso, a damasco. Tinha um pequeno brinco de prata em cada orelha na extremidade com uma esfera - um símbolo. Enquanto nos beijávamos, meti-lhe a mão dentro da blusa. Agarrei num seio e a minha mão começou a acariciá-lo. Não tinha soutien. Endireitei-me e tirei a mão. Contornei o sofá e sentei-me ao pé dela. Enchi dois copos.

«Para um velho e feio cabrão como tu, tens muita lata», disse ela.

«Que tal uma rápida, antes de a Debra chegar?»

«Não.»

«Não me odeies. Eu só quero animar a festa.»

«Acho que passaste as marcas. O que acabaste de fazer foi demasiado óbvio e grosseiro.»

«Acho que tenho falta de imaginação.»

«E és escritor?»

«Escrevo. Mas prefiro tirar fotografias.»

«Acho que fodes só para escreveres sobre as mulheres que fodeste.»

«Não sei.»

«Eu acho que sim.»

«OK, OK, esquece. Bebe.»

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