Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 27 de 247

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Mulheres

uma raiva demente, rosnava, arreganhava os dentes.…

uma raiva demente, rosnava, arreganhava os dentes. Parecia um leopardo. Olhei para ela estendida. Senti-me seguro com ela por terra. Ela emitiu um rugido e no momento em que me ia embora ergueu o braço e enfiou as unhas na manga do meu casaco, puxou e arrancou-a do meu braço, à altura do ombro.

«Meu Deus», disse eu, «vê o que fizeste ao meu novo casaco! Acabei de o comprar!»

Abri a porta e saí com um braço despido. Tinha acabado de abrir a porta do carro quando ouvi os seus pés nus no asfalto, por trás de mim. Meti-me no carro e tranquei a porta. Pus o motor a trabalhar.

«VOU MATAR ESTE CARRO!», gritava ela. «VOU MATAR ESTE CARRO!»

Os seus punhos batiam na capota, no tejadilho, no pára-brisas. Retirei o carro muito lentamente para não magoar Lydia. O meu Mercury Comet de 62 tinha pifado e tinha comprado recentemente um Volks de 67. Mantinha-o brilhante e encerado. Tinha até um espanador no porta-luvas. Enquanto me afastava, Lydia continuava a bater no carro com os punhos. Quando estava já afastado dela, meti a segunda. Olhei para o retrovisor e vi-a de pé, sozinha ao luar, imóvel no seu roupão azul e de calcinhas. O meu estômago começou a crispar-se e a girar. Senti-me doente, inútil, triste. Estava apaixonado por ela.

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Fui para casa e comecei a beber. Liguei o rádio e encontrei música clássica. Tirei do escritório a minha lanterna Coleman. Apaguei todas as luzes e sentei-me a brincar com a lanterna. Podem-se fazer proezas com uma lanterna Coleman. Como por exemplo apagá-la e depois acendê-la e ver o calor da mecha reacendê-la. Eu gostava também de bombear a lanterna para aumentar a pressão. E havia simplesmente o prazer de olhar para ela. Eu bebia a olhar para a lanterna, ouvia música e fumava um cigarro.

O telefone tocou. Era Lydia.

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