Mulheres
«Sobe a Western em direcção a Franklin,…
«Sobe a Western em direcção a Franklin, vira à esquerda até Harvard e depois à direita.»
Quando chegámos a Harvard, não havia lugar para estacionar. Por fim, estacionei numa zona proibida e saímos.
«Segue-me», disse ela.
Foi uma volta em vão. Antes de entrarmos no vestíbulo, ela virou à direita e segui-a por uma escada de cimento, a olhar para o seu eu. Era estranho, mas toda a gente tinha um eu. Era quase triste. Mas eu não queria o eu dela. Segui-a pelo corredor e subimos mais algumas escadas de cimento. Usávamos uma espécie de escadas de incêndio em vez do elevador. Por que razão, eu não fazia a mínima ideia. Mas eu precisava de fazer exercício - isto se eu quisesse escrever enormes romances durante a velhice, como o Knut Hamsun.
Chegámos, por fim, ao seu apartamento e ela tirou a chave. Agarrei-lhe na mão.
«Espera um pouco», disse eu.
«O que é?»
«Não estão lá dentro dois pretos enormes para me partirem o eu e assaltarem-me?»
«Não, não está ninguém lá dentro. Vivo com uma amiga que não está agora em casa.»
«Dá-me a chave.»
Abri a porta muito devagar e pus um pé lá dentro. Olhei em volta. Trazia a minha faca, mas não a tirei. Ela fechou a porta atrás de nós.
«Vamos para a cama», disse ela.
«Espera um pouco...»
Abri bruscamente a porta do guarda-fatos e espreitei para trás das roupas. Nada.
«Mas que espécie de merda és tu, homem?»
«Não sou merda nenhuma!»
«Oh, meu Deus...»
Corri para a casa-de-banho e abri as cortinas da banheira. Nada. Fui à cozinha e levantei a cortina de plástico do lava-loiças. Apenas um caixote de plástico cheio de lixo. Verifiquei o outro quarto e a respectiva casa-de-banho. Olhei para baixo da cama: uma garrafa vazia de Ripple. Saí.
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