Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 158 de 247

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Mulheres

penso, muito bom, direi mesmo muito bom,…

penso, muito bom, direi mesmo muito bom, mas os editores devolvem-me todos os poemas que lhes envio. Como é que se ganha este jogo? Qual é o segredo? Quem é necessário conhecer? Admiro muito a sua obra e gostaria muito de ir aí conversar consigo. Levarei duas embalagens de cerveja. Gostaria também de ler-lhe alguns dos meus poemas...»

O pobre cabrão nem sequer tinha uma rata. Deitei a carta para o cesto dos papéis.

Passado uma hora ou pouco mais, Liza voltou. «Oh, encontrei os mais maravilhosos vestidos!»

Ela trazia uma braçada de vestidos. Foi para o quarto. Passado algum tempo, saiu. Trazia um vestido de gola alta e passeava-se à minha frente. O vestido desenhava-lhe o eu em perfeição. Era preto e doirado e ela calçava sapatos pretos. Deu alguns passos de dança.

«Gostas dele?»

«Oh, sim...» Sentei-me e esperei.

Liza voltou ao quarto. Voltou em verde e encarnado com palhetas de prata. Este tinha uma abertura ao nível do estômago que deixava ver o umbigo. Enquanto dava voltas e reviravoltas à minha frente, ela olhava-me nos olhos dum modo muito especial. Nem acanhado nem sexy - era perfeito.

Não me lembro de quantos vestidos passaram à minha frente, mas o último era muito bonito. Ficava-lhe apertado e tinha uma racha de cada lado, a partir das ancas. Enquanto andava, aparecia uma e depois a outra perna. O vestido era negro, brilhante, e era decotado.

Enquanto ela desfilava, levantei-me e saltei-lhe para cima. Beijei-a violentamente, obrigando-a a inclinar-se para trás. Continuei a beijá-la e tentei puxar o vestido para cima. Consegui levantar-lhe a parte de trás e vi as suas cuecas amarelas. Depois levantei-lhe a parte da frente e encostei-lhe o meu caralho. A sua língua escorregou para a minha boca - estava tão fria que parecia ter bebido água gelada. Puxei-a em direcção ao quarto, lancei-a para a cama e pus-me a trabalhar. Tirei-lhe as cuecas amarelas, tirei os meus calções. Dei livre curso à minha imaginação. As suas pernas estavam à volta do meu pescoço e

208 eu por cima dela. Afastei-as, avancei e enfiei-o. Fodi-a durante um momento, variando sempre de velocidade, ora impulsos de ira e impulsos de amor, ora impulsos arreliantes ou brutais. De vez em quando tirava e recomeçava. Por fim deixei ir, fui e vim algumas vezes, vim-me e estendi-me ao lado dela. Liza continuou a beijar-me. Eu não sabia se ela tinha gozado ou não. Eu tinha.

Jantámos num restaurante francês que também servia boa comida americana, a preços razoáveis. Estava sempre super-cheio, o que nos deu tempo de ir ao bar. Nessa noite fiz-me passar por Lancelot Lovejoy e ainda estava suficientemente sóbrio para me lembrar do telefonema, quarenta e cinco minutos antes.

Pedimos uma garrafa de vinho e decidimos atrasar o jantar por algum tempo. Não há melhor maneira de beber senão a uma pequena mesa com uma toalha branca, na companhia duma bonita mulher.

«Tu fodes», disse-me Liza, «com o entusiasmo juvenil de um homem que fode pela primeira vez, e por isso fodes com muita imaginação.»

«Posso escrever isso na minha camisa?»

«Claro.»

«Podia usar-me disso algumas vezes.»

«Não me uses, é tudo o que te peço. Eu não quero ser apenas mais uma das tuas mulheres.»

Não respondi.

«A minha irmã odeia-te», disse ela. «Disse-me que só te utilizarias de mim.»

«O que aconteceu ao teu charme, Liza? Estás a falar como toda a gente.»

Não esperámos pelo jantar. Já em casa, continuámos a beber. Eu gostava muito dela. Comecei a mandar-lhe piropos. Ela surpreendeu-se, os seus olhos encheram-se de lágrimas. Correu para a casa-de-banho, ficou para aí uns dez minutos e saiu.

«A minha irmã tinha razão. Es um cabrão!»

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«Vamos para a cama, Liza.»

Despimo-nos. Deitámo-nos e eu trepei-a. Era muito mais difícil sem os preliminares, mas acabei por entrar nela. Comecei a trabalhar. Fui e vim sem parar. Mais uma noite quente. Era quase um mau sonho já habitual. Comecei a transpirar. Continuei sem parar. Nada. Não conseguia. Continuei: por fim, caí para o lado. «Desculpa, querida, bebi muito.»

A cabeça dela desceu lentamente para o meu peito, o meu ventre, e mais abaixo, começou a lamber, a lamber, a lamber, meteu-o na boca e começou a chupar...

Acompanhei Liza a San Francisco. O seu apartamento situava-se no topo duma colina. Era bonito. A primeira coisa que fiz quando entrei foi cagar. Fui à casa-de-banho e sentei-me. Vinhas verdes por todo o lado. Que sítio. Eu gostava daquilo. Quando saí, Liza disse para me sentar numas grandes almofadas, pôs Mozart no gira-discos, e serviu-me vinho gelado. Era hora de jantar e ela preparava-o na cozinha. De quando em quando vinha encher-me o copo. Sempre gostei mais de estar em casa duma mulher do que de convidá-la para a minha. Quando estava em casa delas podia partir quando me apetecesse.

Chamou-me para jantar. Salada, chá gelado e galinha estufada. Estava bastante bom. Eu era um péssimo cozinheiro. Só sabia fritar bifes, embora fizesse um bom estufado de carne de vaca, sobretudo quando estava bêbedo. Eu gostava de fazer experiências com o estufado de vaca. Punha tudo e mais alguma coisa, e por vezes saía-me bem.

Depois do jantar fomos dar um passeio a Fishermarís Warf. Liza guiava com muita prudência. Punha-me nervoso. Parava em todos os cruzamentos para olhar à esquerda e à direita. Mesmo quando não havia carros, ela ficava ali. Eu esperava.

«Liza, merda, vamos. Não há ninguém.»

Só então arrancava. Era assim com as pessoas. Quanto mais

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