Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 98 de 247

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Mulheres

«Pareces uma pipa sem fendo.»

«Servem bebidas?»

«Pareces uma pipa sem fendo.»

Não tomei banho de chuveiro, mas de imersão.

Andámos um bom bocado. Nunca tinha percebido que Galveston era uma ilha.

«Os traficantes de droga têm assaltado nestes últimos dias os barcos de pesca de camarão. Matam toda a gente a bordo e embarcam as suas mercadorias, É uma das razões por que subiu o preço do camarão - tornou-se uma ocupação perigosa. E o teu trabalho, como vai?»

«Não tenho escrito. Acho que para mim acabou.»

«E desde quando é que não escreves?»

«Há seis ou sete dias.»

«Cá está o sítio...»

Joanna meteu-se para o parque de estacionamento. Conduzia depressa, mas não o fazia para infringir a lei. Ela conduzia depressa como se lhe tivesse sido dado esse direito. Havia uma diferença e isso agradava-me.

Encontrámos uma mesa afastada das pessoas. A sala era fresca, calma e escura. Eu gostava assim. Fui para a lagosta. Joanna escolheu qualquer coisa estranha. Pediu em francês. Ela era sofisticada, muito viajada. Em certa medida, e mesmo que eu fosse contra, a boa educação ajudara quando se olhava para um menu, ou se procurava um emprego, mas sobretudo quando se olhava para um menu. Sempre me senti inferior em relação aos empregados de mesa. Cheguei muito atrasado e com muito pouco. Todos eles liam Truman Capote. Eu lia os resultados das corridas.

O jantar foi bom, e lá fora, no golfo, navegavam os barcos de pesca de camarão, as vedetas da polícia e os piratas. A lagosta soube-me bem e empurrei-a com um bom vinho. Boa amiga. Sempre gostei de ti, perigosa e lenta, com a tua casca avermelhada.

De regresso a casa de Joanna Dover, tínhamos uma garrafa de um delicioso vinho tinto. Sentámo-nos às escuras a ver passar os carros na rua, lá embaixo. Estávamos calmos. Depois Joanna começou a falar.

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