Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 108 de 247

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Mulheres

De repente fez-se silêncio no avião. As…

De repente fez-se silêncio no avião. As pessoas que estavam perto de nós, escutavam.

«Vinte e três.»

«Parece ter dezassete.»

«Tem vinte e três.»

«Passou duas horas a maquilhar-se e agora adormece.»

«Foi mais ou menos uma hora.»

«Vão para Nova Iorque?», perguntou a senhora.

«Sim.»

«Ela é sua filha?»

«Não, não sou nem pai nem avô dela. Não tenho nenhum laço de parentesco com ela. É minha namorada e vamos para Nova Iorque.» Já lia as parangonas nos olhos dela:

UM PERVERSO DE HOLLYWOOD DROGA RAPARIGA DE DEZASSETE ANOS, LEVA-A PARA NOVA IORQUE, ONDE A VIOLA. E VENDE-A DEPOIS A VÁRIOS VAGABUNDOS

A senhora do interrogatório desistiu. Estendeu-se no assento e fechou os olhos. A sua cabeça escorregou para o meu lado. Parecia que estava sobre o meu estômago. Agarrado a Tammie, eu olhava para aquela cabeça. Perguntei-me se ela se importaria que eu lhe pregasse nos lábios um grande beijo. Entesei-me outra vez.

Estávamos prestes a aterrar. Tammie parecia muito mole.

Aquilo preocupou-me. Apertei-lhe o cinto.

«Tammie, já estamos em Nova Iorque! Vamos aterrar! Tammie, acordai

Nenhuma resposta.

Uma overdose!

Agarrei-lhe no pulso. Não senti nada.

Olhei para os seus enormes seios. Queria ver se ela respirava. Os seios não se mexiam. Levantei-me e encontrei uma hospedeira.

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