Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 223 de 247

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Mulheres

«Demasiado e contudo poucos.»

«Passo.»

«Foram muitos?»

«Demasiado e contudo poucos.»

Trinta ou quarenta minutos mais tarde, bateram à porta. Sara levantou-se e abriu-a. Entrou uma vampe. Na noite de Natal. Eu não sabia quem era. Ela trazia um conjunto preto justo e os seus enormes seios ameaçavam a todo o momento saltar para fora do vestido. Era magnífico. Nunca tinha visto seios assim, com aquele aspecto, a não ser nos filmes.

«Olá, Hank!»

Ela conhecia-me.

«Sou a Edie. Conheceste-me numa noite em casa do Bobby.»

«Oh?»

«Estavas assim tão bêbedo que não te lembras?»

«Olá, Edie. Esta é a Sara.»

«Eu andava à procura do Bobby. Pensei que ele pudesse cá estar.»

Edie sentou-se numa cadeira à minha direita, muito perto de mim. Tinha perto de 25 anos. Acendeu um cigarro e beberricava. Cada vez que ela se debruçava sobre a mesa de café, eu tinha a certeza que podia acontecer, tinha a certeza que aqueles seios iam saltar. E tinha receio do que eu pudesse fazer se isso acontecesse. Não sabia mesmo. Nunca fui doido por seios, mas sim por pernas. Mas Edie sabia como provocar. Eu tinha medo e olhava de esguelha para os seus seios, sem saber muito bem se os queria cá fora ou lá dentro.

«Encontraste-te com Manny», perguntou-me ela, «em casa do Bobby?»

«Sim.»

«Tive que o pôr fora de casa. Ele é muito ciumento. Até contratou um detective particular para me seguir! Imagina! Aquele monte de merda!»

«Pois.»

«Odeio homens que mendiguem! Detesto aduladores!»

«Hoje em dia é difícil encontrar um bom homem», disse eu.

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