Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 35 de 247

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Mulheres

pensa. Havia um bilhete e umas calcinhas…

pensa. Havia um bilhete e umas calcinhas azuis. O bilhete era uma gatafunhada feroz:

Cabrão, aqui está o teu ar condicionado. Parti. Parti para meu bem, seu filho da puta! Quando te sentires só podes menear-te com estas calcinhas.

Lydia.

Fui ao frigorífico buscar uma cerveja. Bebi-a e dirigi-me ao ar condicionado. Agarrei nas calcinhas e perguntava-me se aquilo havia de resultar. Depois disse «Merda!» e lancei-as ao chão.

Fui ao telefone e marquei o número de Dee Dee Bronson. Ela estava em casa. «Está lá?»

«Dee Dee, é o Hank...»

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Dee Dee vivia em Hollywood Hills. Dee Dee partilhava a casa com uma amiga, outra executiva, Bianca. Bianca ocupava o primeiro andar e Dee Dee o de baixo.

Toquei à campainha. Eram oito e meia quando Dee Dee abriu a porta. Tinha cerca de quarenta anos, cabelo rapado e negro, era judia, bem informada, freak. Adorava Nova Iorque, conhecia toda a gente: os melhores editores, os melhores poetas, os mais talentosos caricaturistas, os revolucionários mais conhecidos, não importava quem, toda a gente. Fumava erva constantemente e comportava-se como se estivesse no início dos anos sessenta, na época do Amor, quando era menos conhecida e muito mais bonita.

Uma longa série de más relações amorosas tinham acabado com ela. Agora estava em frente à sua porta. Era ainda um bom pedaço. Era pequena mas bem fornecida de carnes e bastantes raparigas haviam de gostar de ter a sua figura.

Entrei. «Então a Lydia deixou-te?», perguntou Dee Dee.

«Penso que foi para Utah. A dança de 4 de Julho em Muleshead é em breve. Ela nunca falta.»

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Sentei-me na cozinha enquanto Dee Dee desarrolhava uma garrafa de vinho tinto. «Sentes a falta dela?»

«Meu Deus, claro. Tenho vontade de chorar. Tenho a barriga às voltas. Talvez não consiga suportar o golpe.»

«Hás-de conseguir. Vamos fazer esquecer-te de Lydia. Vamos ajudar-te a saíres dessa.»

«Sabes como me sinto?»

«Isso já nos aconteceu algumas vezes.»

«Aquela puta nunca se preocupou comigo.»

«Claro que se preocupou e ainda se preocupa.»

Pensei que era muito melhor estar ali, na enorme casa de Dee Dee, em Hollywood Hills, do que estar sentado e só no meu apartamento a matutar.

«Eu não devo saber relacionar-me com mulheres», disse eu.

«Sabes dar-te muito bem com as mulheres. E és um escritor formidável», disse Dee Dee.

«Gostaria de saber relacionar-me com mulheres.»

Dee Dee estava a acender um cigarro. Esperei que o fizesse, debrucei-me sobre a mesa e dei-lhe um beijo. «Sinto-me bem ao pé de ti. Lydia estava sempre a contra-atacar.»

«Isso não quer dizer o que pensas.»

«Mas pode tornar-se desagradável.»

«De acordo.»

«Já encontraste um namorado?»

«Ainda não.»

«Gosto desta casa. Como consegues mante-la limpa e arrumada?»

«Temos uma criada.»

«Sim?»

«Hás-de gostar dela. E uma preta enorme, e mal eu saio, faz o trabalho o mais depressa que pode. Depois vai para a cama, come bolinhos e vê televisão. Encontro todas as noites migalhas na cama. Amanhã de manhã, antes de eu sair, pedir-lhe-ei que te prepare o pequeno-almoço.»

«Está bem.»

«Sabes, acho que estive sempre apaixonada por ti.»

«O quê?»

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