Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 152 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

«Deviam ter frigoríficos nos quartos», disse eu.…

«Deviam ter frigoríficos nos quartos», disse eu. «A merda da cerveja está a ficar quente.»

Saí à procura duma máquina de gelo. Passei em frente do quarto do Burroughs, que estava sentado numa cadeira, perto da janela. Olhou para mim com indiferença.

Encontrei a máquina de gelo, regressei com o gelo, pu-lo no lavatório e meti algumas garrafas lá dentro.

«Não deves beber tanto», disse Joe. «Começas logo a enrolar as palavras.»

«Eles não ligam. Querem apenas pôr-me na cruz.»

«Quinhentos dólares por uma hora de trabalho?», perguntou Dudley. «Chamas a isso uma cruz?»

«Sim.»

«Es algum Cristo!»

Dudley e Paul saíram, eu e Joe fomos comer e beber a um café. Encontrámos uma mesa. Mal nos sentámos, estranhos começaram a puxar as cadeiras para a nossa mesa. Eram todos homens. Que merda. Havia algumas raparigas giras, mas elas só olhavam e sorriam, ou não olhavam nem sorriam. Disse para comigo que as que não se sorriam deviam odiar-nos por causa da minha atitude em relação às mulheres. Que se fodam.

Jack Mitchell e Mike Tufts, ambos poetas, estavam lá. Nenhum deles trabalhava e por isso a poesia pouco lhes rendia. Viviam o dia-a-dia e de esmolas. Mitchell era realmente um bom poeta, mas não tinha sorte. Depois entrou Blast Grimly, o cantor. Blast estava sempre bêbedo. Eu nunca o tinha visto sóbrio. Havia outros dois tipos à mesa que eu não conhecia.

«Senhor Chinaski?»

Era uma coisinha doce com um vestido verde curto.

«Pode autografar-me este livro?»

Era uma recolha de poemas que eu tinha escrito quando trabalhava como carteiro - It Rum Around the Room and Me. Assinei-o, fiz um desenho e devolvi-o.

«Oh, muito obrigada!»

201