Mulheres
quis entrar. Dei a volta ao quarteirão…
quis entrar. Dei a volta ao quarteirão e passei muito devagar em frente do Drop On Inn. Virei duas vezes à direita. Vi um bar, o Crab Haven. Estacionei em frente e entrei.
Eram quatro menos um quarto, e todos os lugares estavam ocupados. A maior parte dos clientes eram já de uma certa idade. Fiquei de pé e pedi um vodka 7. Levei a bebida comigo e fui telefonar para Sara. «Pronto, é o Henry. Já cá estou.»
«Vi-te passar duas vezes de carro. Não tenhas medo. Onde estás?»
«No Crab Haven. Estou a tomar um copo. Daqui a pouco estou aí.»
«Está bem. Não bebas muito.»
Pedi outro vodka 7. Encontrei um banco livre e sentei-me. De facto não me apetecia lá ir. Dificilmente me lembrava de como era ela.
Acabei de beber e dirigi-me para o restaurante. Saí, abri a porta de rede e entrei. Sara estava por detrás do balcão. Viu-me. «Olá, Henry!», disse. «Já vou ter contigo.» Estava a preparar qualquer coisa. Andavam por ali quatro ou cinco gajos. Alguns estavam sentados num sofá, outros no chão. Tinham todos vinte e picos anos, eram todos iguais, vestiam calções desportivos e estavam só sentados. Uma vez por outra, um deles cruzava as pernas e tossia. Sara era uma mulher magra e bonita e andava de um lado para o outro com vivacidade. O cabelo era de um loiro avermelhado. Ficava-lhe muito bem.
«Já vamos cuidar de ti», disse-me.
«Está bem.»
Havia uma estante. Tinha dois ou três livros meus. Encontrei um Lorca e sentei-me com intenções de o ler. Assim não tinha de olhar para os gajos em calções desportivos. Tinham ar de quem nunca tinha sido tocado por nada - todos meninos da mamã, protegidos, com um ar de satisfação. Nenhum deles tinha ainda estado na prisão ou trabalhado no duro com as mãos, ou nem mesmo multados. Todos eles uns sensaborões.
Sara trouxe-me uma sanduíche macrobiótica. «Aqui está, experimenta isto.» Comi-a enquanto os gajos se refastelavam. Um deles levantou-se e saiu. Depois outro. Sara estava a comer
240 com eles. Não ficou senão um. Tinha cerca de 22 anos e estava sentado no chão. Tinha óculos, de pesados aros pretos. Parecia mais solitário e pateta que os outros. «Eh, Sara», disse ele, «vamos sair esta noite e beber cerveja.»
«Hoje à noite não, Mike. Que tal amanhã à noite?»
«OK, Sara.»
Levantou-se e dirigiu-se ao balcão. Deixou uma moeda e agarrou num biscoito macrobiótico. Encostou-se ao balcão enquanto comia. Quando acabou, foi-se embora.
«Gostaste da sanduíche?», perguntou Sara.
«Sim, não era má.»
«Podes trazer a mesa e as cadeiras que estão no passeio?»
Trouxe a mesa e as cadeiras.
«O que é que te apetece fazer?», perguntou-me.
«Bem, eu não gosto de bares. O ar é péssimo. Vamos comprar qualquer coisa para beber e vamos para tua casa.»
«Está bem. Ajuda-me a carregar o lixo lá para fora.»
Ajudei-a a tirar o lixo. Depois ela fechou a porta à chave.
«Segue a minha carrinha. Conheço uma loja onde há bom vinho. Depois segue-me até casa.»
Ela tinha uma carrinha Volkswagen. No vidro de trás havia um póster dum tipo. «Sorri e alegra-te», aconselhava-me ele; e por baixo ao póster estava o seu nome, Drayer Baba.
Já em casa dela abrimos uma garrafa de vinho e sentámo-nos no sofá. Gostei do modo como estava mobilada a casa. Sara tinha feito todo o seu mobiliário, incluindo a cama. Fotografias de Drayer Baba estavam por todos os lados. Ele nascera na índia em 1971 e clamava ser Deus.
Enquanto eu e Sara estávamos sentados a beber a primeira garrafa de vinho, a porta abriu-se e um rapaz de dentes saídos, cabelos e barba compridos, entrou. «É o Ron, que partilha a casa comigo», disse Sara.
«Olá, Ron. Queres vinho?»
Ron bebeu vinho connosco. Depois entrou uma rapariga gorda acompanhada por um homem magro, de cabeça rapada. Era a Pearl e o Jack. Sentaram-se. Entrou um outro tipo novo. Chamava-se Jean John. Jean John sentou-se. Depois entrou Pat.
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