Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 42 de 247

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Dee. Eu estava ressacado. Dee Dee deu-me…

Dee. Eu estava ressacado. Dee Dee deu-me Alka-Seltzer e um copo de água. A única coisa que me ajudou a melhorar foi uma rapariga sentada do outro lado da sala de espera. Tinha um corpo fabuloso, boas e esguias pernas, e trazia uma mini-saia. E vestia meias compridas, com ligas, e sob a saia, cuecas cor-de-rosa. Calçava sapatos de salto alto.

«Estás a olhar para ela, não estás?», perguntou Dee Dee.

«Não posso evitar.»

«E uma desavergonhada.»

«Evidente.»

A desavergonhada levantou-se para jogar flipper, meneando o seu traseiro para ajudar a descer a bola. Depois veio sentar-se, mostrando quase tudo.

O hidroavião chegou vazio, fomos para o cais e esperámos pelo embarque. O hidroavião era vermelho, modelo 1936, com dois motores, um piloto e oito ou dez lugares.

Se eu não vomitar nessa coisa, pensei, serei um herói.

A rapariga da mini-saia não embarcava.

Porque será que quando se vê uma mulher assim está-se sempre com outra?

Entrámos e apertámos os cintos.

«Oh!», disse Dee Dee, «estou tão excitada! Vou sentar-me ao pé do piloto.»

«OK.»

Descolámos e Dee Dee estava lá à frente com o piloto. Reparei que conversava com ele. Ela amava a vida, ou pelo menos dava essa impressão. Passado algum tempo, aquilo não fazia grande sentido para mim - quero dizer, o entusiasmo e excitação de Dee Dee -, irritava-me um pouco, mas a maior parte das vezes deixava-me indiferente. Nunca me chateou.

Voámos e aterrámos, a amaragem foi difícil, voámos rente a falésias, embatemos na água e a espuma saltou. Era como estar num barco a alta velocidade. Aproximámo-nos doutro cais e Dee Dee voltou para me contar tudo sobre o hidroavião, o piloto e a conversa que tiveram. Em frente, havia um enorme bura-

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