Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 157 de 247

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Mulheres

«Absolutamente nada. Até logo.»

«Estás furiosa. Desiludi-te.»

«Absolutamente nada. Até logo.»

«Onde é essa loja?»

«Na rua 87.»

«Na 87? Meu Deus, é a Watts!»

«Têm os melhores vestidos da costa.»

«Mas é em pleno bairro negro!»

«És contra os negros?»

«Sou contra tudo.»

«Eu apanho um táxi. Dentro de três horas estou aí.»

«Queres vingar-te, não é?»

«Eu disse que voltava. Deixo aqui as minhas coisas.»

«Não voltas mais.»

«Volto, sim. Sei desenrascar-me sozinha.»

Levantei-me, encontrei osjeans e as chaves do carro.

«Toma, leva o meu Volks. É um TRV 469, está parado mesmo em frente. Mas cuidado com a embraiagem, e a segunda está estragada, e a marcha-atrás arranha...»

Ela agarrou nas chaves, eu voltei para a cama e cobri-me. Liza inclinou-se para mim. Agarrei-a e beijei-lhe o pescoço. Eu estava com mau hálito.

«Anima-te», disse ela. «Confia em mim. Esta noite vai haver festa, haverá um desfile de modas.»

«Eu não posso esperar.»

«Podes, sim.»

«A chave prateada abre a porta do lado do condutor. A dourada é a da ignição...»

Saiu com o seu vestido vermelho. Ouvi a porta fechar-se.

Olhei à minha volta. A mala dela ainda lá estava. E um par de sapatos no tapete.

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Era uma e meia da tarde quando acordei. Tomei um banho, vesti-me, fui ver o correio. Havia uma carta de um tipo novo, de Glendale. «Caro senhor Chinaski: sou um jovem escritor e,

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