Mulheres
«Absolutamente nada. Até logo.»
«Estás furiosa. Desiludi-te.»
«Absolutamente nada. Até logo.»
«Onde é essa loja?»
«Na rua 87.»
«Na 87? Meu Deus, é a Watts!»
«Têm os melhores vestidos da costa.»
«Mas é em pleno bairro negro!»
«És contra os negros?»
«Sou contra tudo.»
«Eu apanho um táxi. Dentro de três horas estou aí.»
«Queres vingar-te, não é?»
«Eu disse que voltava. Deixo aqui as minhas coisas.»
«Não voltas mais.»
«Volto, sim. Sei desenrascar-me sozinha.»
Levantei-me, encontrei osjeans e as chaves do carro.
«Toma, leva o meu Volks. É um TRV 469, está parado mesmo em frente. Mas cuidado com a embraiagem, e a segunda está estragada, e a marcha-atrás arranha...»
Ela agarrou nas chaves, eu voltei para a cama e cobri-me. Liza inclinou-se para mim. Agarrei-a e beijei-lhe o pescoço. Eu estava com mau hálito.
«Anima-te», disse ela. «Confia em mim. Esta noite vai haver festa, haverá um desfile de modas.»
«Eu não posso esperar.»
«Podes, sim.»
«A chave prateada abre a porta do lado do condutor. A dourada é a da ignição...»
Saiu com o seu vestido vermelho. Ouvi a porta fechar-se.
Olhei à minha volta. A mala dela ainda lá estava. E um par de sapatos no tapete.
85
Era uma e meia da tarde quando acordei. Tomei um banho, vesti-me, fui ver o correio. Havia uma carta de um tipo novo, de Glendale. «Caro senhor Chinaski: sou um jovem escritor e,
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