Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 245 de 247

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Mulheres

vam porque ainda não estava morto e…

vam porque ainda não estava morto e isso deixava-me incomodado. Eles talvez não pensassem em tais coisas, mas quando um tipo tem 300 ressacas por ano torna-se paranóico.

Encontrei quatro garrafas de bom vinho branco e saí com elas. Quatro rapazinhos mexicanos estavam sentados cá fora.

«Eh, senhor! Dê-nos algum dinheiro! Eh, dê-nos algum dinheiro!»

«Para quê?»

«Precisamos, meu, precisamos, não sabe?»

«Vão comprar Coca-Cola?»

«Pepsi-Cola, meu!»

Dei-lhes cinquenta cêntimos.

(ESCRITOR IMORTAL AJUDA OS PUTOS DA RUA)

Correram. Abri a porta do carro e pus o vinho lá dentro. Nesse preciso momento, vinha uma carrinha a grande velocidade e uma das portas abriu-se violentamente. Uma mulher foi atirada brutalmente. Era uma jovem mexicana, de 22 anos, sem seios, e vestia calças cinzentas. Os seus cabelos negros estavam sujos e despenteados. O tipo que conduzia a carrinha pôs-se a gritar: «SUA PUTA! SUA PUTA DE MERDA! PARTO-TE ESSE CU!».

«SEU CABRÃO!», gritou ela. «SEU MONTE DE MERDA!»

Ele saltou da carrinha e correu atrás dela. Queria matá-la. Ela correu para a loja das bebidas. Ele viu-me, desistiu, voltou para a carrinha, dirigiu-se para o parque de estacionamento e virou para Hollywood Boulevard.

Dirigi-me à rapariga.

«Estás bem?»

«Sim.»

«Posso fazer alguma coisa por ti?»

«Sim, leva-me para Van Ness. Para o cruzamento da Van Ness com a Franklin.»

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