Mulheres
Estava um puto no palco com uma…
Estava um puto no palco com uma guitarra, Dinky Summers, e o público estava a pô-lo em fanicos. Oito anos antes, Dinky tinha tido um disco de ouro, mas depois disso não fez mais nada.
Marty aproximou-se dum telefone e marcou um número. «Escuta», perguntou, «esse tipo é tão mau como parece?»
Ouviu-se uma voz de mulher ao telefone. «Ele é horrível.»
Marty desligou.
«Queremos o Chinaski!», gritavam eles.
«OK», ouviu-se Dinky, «Chinaski é a seguir.»
Começou outra vez a cantar. Estavam bêbedos. Assobiavam e apupavam. Dinky continuou. Acabou a sua actuação e saiu do palco. Era difícil de prever. Em certos dias, o melhor era ficar na cama com os cobertores até cá acima.
Bateram à porta. Era Dinky nos seus ténis vermelhos, brancos e azuis, T-shirt branca, calças de bombazina e chapéu de feltro castanho. O chapéu assentava numa massa de caracóis loiros. A T-shirt dizia «Deus É Amor».
Dinky olhou para nós. «Fui assim tão mau? Quero saber. Fui de facto tão mau assim?»
Ninguém respondeu.
Dinky olhou para mim. «Hank, fui assim tão mau?»
«A assistência está bêbeda. É o carnaval.»
«Quero saber se fui mau ou não.»
«Bebe um copo.»
«Tenho de ir procurar a minha miúda», disse Dinky. «Está sozinha lá fora.»
«Olha, não falemos mais nisso.»
«Claro», disse Marty, «vai indo.»
«Eu vou apresentá-lo», disse Tammie. Saí com ela. Assim que nos aproximámos do palco, eles viram-nos e começaram a gritar e a blasfemar. As garrafas caíram das mesas. Houve luta. Os tipos do correio não haviam de acreditar nisto.
Tammie dirigiu-se ao microfone. «Senhores e senhoras, Henry Chinaski não pôde vir esta noite...» Houve um silêncio.
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