Mulheres
Eu estava sentado em frente de Lydia,…
Eu estava sentado em frente de Lydia, ao canto da cozinha. Entre nós estava um pequeno monte de barro. Ela começou a fazer perguntas.
«Os teus pais ainda estão vivos?»
«Não.»
«Gostas de Los Angeles?»
«E a minha cidade preferida.»
«Porque escreves dessa maneira sobre mulheres?»
«De que maneira?»
«Tu sabes.»
«Não, não sei.»
«Pois bem, eu acho que é uma pena dos diabos que um homem que escreve tão bem como tu não saiba nada de nada sobre mulheres.»
Eu não respondi.
«Ó diabo! O que é que a Lisa fez com...?» Ela pôs-se a vasculhar a sala. «Oh, estas meninas que brincam a esconder os instrumentos da mãe!»
Lydia encontrou outro. «Vou-me desenrascar com isto. Não te mexas agora, descontrai-te mas fica quieto.»
Eu estava sentado em frente dela. Ela trabalhava o monte de barro com um instrumento de madeira que terminava num anel de arame. Eu observava-a. Os seus olhos olhavam para mim. Eram grandes, de um castanho escuro. Mesmo o seu olho deficiente, aquele que desacertava com o outro, agradava-me. Eu retribuía-lhe o olhar. Lydia trabalhava. O tempo passava. Eu estava em transe. Então ela disse: «Que tal uma pausa? Queres uma cerveja?.»
«Óptimo. Sim.»
Quando se levantou para se dirigir ao frigorífico, segui-a. Tirou uma garrafa e fechou a porta. Virou-se para mim, enlacei-a pela cintura e puxei-a. Colei a minha boca e o meu corpo contra ela. Segurava a garrafa de cerveja com o braço estendido. Beijei-a. Voltei a beijá-la. Lydia empurrou-me.
«Está bem», disse ela, «chega. Temos trabalho a fazer.»
12