Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 4 de 247

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Mulheres

Eu estava sentado em frente de Lydia,…

Eu estava sentado em frente de Lydia, ao canto da cozinha. Entre nós estava um pequeno monte de barro. Ela começou a fazer perguntas.

«Os teus pais ainda estão vivos?»

«Não.»

«Gostas de Los Angeles?»

«E a minha cidade preferida.»

«Porque escreves dessa maneira sobre mulheres?»

«De que maneira?»

«Tu sabes.»

«Não, não sei.»

«Pois bem, eu acho que é uma pena dos diabos que um homem que escreve tão bem como tu não saiba nada de nada sobre mulheres.»

Eu não respondi.

«Ó diabo! O que é que a Lisa fez com...?» Ela pôs-se a vasculhar a sala. «Oh, estas meninas que brincam a esconder os instrumentos da mãe!»

Lydia encontrou outro. «Vou-me desenrascar com isto. Não te mexas agora, descontrai-te mas fica quieto.»

Eu estava sentado em frente dela. Ela trabalhava o monte de barro com um instrumento de madeira que terminava num anel de arame. Eu observava-a. Os seus olhos olhavam para mim. Eram grandes, de um castanho escuro. Mesmo o seu olho deficiente, aquele que desacertava com o outro, agradava-me. Eu retribuía-lhe o olhar. Lydia trabalhava. O tempo passava. Eu estava em transe. Então ela disse: «Que tal uma pausa? Queres uma cerveja?.»

«Óptimo. Sim.»

Quando se levantou para se dirigir ao frigorífico, segui-a. Tirou uma garrafa e fechou a porta. Virou-se para mim, enlacei-a pela cintura e puxei-a. Colei a minha boca e o meu corpo contra ela. Segurava a garrafa de cerveja com o braço estendido. Beijei-a. Voltei a beijá-la. Lydia empurrou-me.

«Está bem», disse ela, «chega. Temos trabalho a fazer.»

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