Mulheres
Depois ela disse: «Senhores e senhoras, Henry Chinaski!»
Entrei. Eles gritavam. Ainda não tinha feito nada. Agarrei no microfone. «Olá, sou Henry Chinaski...»
A sala tremeu com o barulho. Eu não precisava de fazer nada. Eles encarregavam-se disso. Mas tinha de ter cuidado. Bêbedos como estavam, podiam detectar imediatamente qualquer gesto em falso, o mais pequeno lapso. Não se deve nunca subestimar uma audiência. Eles pagaram para entrar; pagaram para beber; eles queriam qualquer coisa em troca e se não se lhes dá nada, estão prontos a lançarem-nos ao mar.
Havia um frigorífico no palco. Abri-o. Devia haver lá dentro perto de 40 garrafas de cerveja. Tirei uma, abri-a, bebi um pouco. Eu precisava.
Na primeira fila um homem gritou: «Eh, Chinaski, nós pagamos para beber!».
Era um tipo gordo, com uma farda de carteiro.
Fui buscar uma outra cerveja. Depois encaminhei-me para ele e estendi-lhe a cerveja. Voltei outra vez ao frigorífico para ir buscar mais cerveja. Dei-as às pessoas da primeira fila.
«Eh, e nós?» Era uma voz ao fundo da sala. Agarrei numa garrafa e lancei-a ao ar. Lancei algumas mais para o fundo da sala. Eles eram óptimos. Eles apanharam-nas todas. Uma escorregou-me das mãos e bateu no tecto. Ouvi-a partir-se. Decidi parar. Já estava a ver uma queixa contra mim: fractura de crânio.
Restaram umas vinte garrafas.
«Bem, estas são minhas!»
«Vais ler durante toda a noite?»
«Não, vou beber durante toda a noite.»
Aplausos, gritos, arrotos...
«SEU MONTE DE MERDA!», gritou um tipo.
«Obrigado, tia Tilly», respondi.
Sentei-me, aproximei o micro e comecei a ler o primeiro poema. O ambiente acalmou. Agora eu estava só na arena, com o touro.
Senti algum pânico. Mas eu tinha escrito os poemas. E li-os. Era melhor começar suavemente, com um poema de escárnio. Acabei e as paredes abanaram. Quatro ou cinco pessoas lutaram
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