Mulheres
as conhecíamos, mais os seus tiques vinham…
as conhecíamos, mais os seus tiques vinham à superfície. Por vezes eram tiques cómicos pelo menos ao princípio.
Caminhámos ao longo do cais e depois fomo-nos sentar na areia. Não parecia uma praia.
Ela disse-me que não tivera namorado durante algum tempo. Agora achava inacreditáveis os temas das conversas e os interesses que tinham os seus antigos amantes.
«As mulheres são todas iguais», disse-lhe eu. «Quando perguntaram ao Richard Burton em que é que reparava logo numa mulher, ele disse: ”Deve ter pelo menos trinta anos”.»
Começou a escurecer e voltámos para o apartamento. Liza trouxe o vinho e sentámo-nos nas almofadas. Ela abriu os estores e olhávamos para a noite, lá fora. Começámos a beijar-nos. Bebemos. E beijámo-nos mais.
«Quando começas a trabalhar?», perguntei-lhe.
«Queres que eu vá?»
«Não, mas tens de viver.»
«Mas tu não trabalhas.»
«De certo modo, sim.»
«Queres dizer que vives só para escrever?»
«Não, também gosto de viver. Mais tarde tento recordar-me de coisas e escrevo-as.»
«Eu só dou aulas de dança três noites por semana.»
«E isso dá-te para viver?»
«Tem-me dado até aqui.»
Os nossos beijos tornaram-se mais íntimos. Ela não bebia tanto como eu. Fomos para o colchão de água, despimo-nos e deitámo-nos. Já tinha ouvido falar das fodas em colchões de água. Eu achei difícil. Sob os nossos corpos a água parecia andar de um lado para o outro. Em vez de me aproximar dela, eu tinha a impressão que me afastava dela. Talvez eu precisasse de praticar. Fiz-lhe as habituais selvajarias, agarrava-lhe pelos cabelos, agindo como se fosse uma violação. Ela gostava, ou parecia gostar, dava pequenos sons de contentamento. Continuei a maltratá-la e ela fez os sons de quem tinha atingido o clímax. Aquilo excitou-me e vim-me quando ela chegou ao fim do orgasmo.
Limpámo-nos e voltámos para as almofadas e para o vinho.
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