Mulheres
Pete levantou-se. Olhou para as mulheres presentes…
Pete levantou-se. Olhou para as mulheres presentes na sala. «Qual delas queres?», perguntou. «É tão fácil quanto isso?» «É a hospitalidade sulista.»
Havia uma em que eu tinha reparado, mais velha que as outras, com os dentes saídos. Mas os seus dentes saíam com graciosidade - puxando os lábios para a frente, como uma aberta e apaixonada flor. Eu queria a minha boca sobre aquela boca. Ela vestia uma mini-saia e os collants revelavam óptimas pernas que não paravam de se cruzar e descruzar, enquanto lia, bebia e puxava a saia que não queria descer.
Sentei-me ao seu lado. «Eu sou...», comecei por dizer.
«Sei quem você é. Estive na sua leitura.»
«Obrigado. Gostaria de comer a tua gata. Tornei-me muito bom nisso. Deixar-te-ei louca.»
«O que pensa de Allen Ginsberg?»
«Olha, não tentes mudar de conversa. Eu quero a tua boca, as tuas pernas, o teu eu.»
«Está bem», disse ela.
«Até já. Estou no quarto do rés-do-chão.»
Levantei-me e deixei-a para ir beber outro copo. Um tipo novo - com, pelo menos, um metro e noventa - aproximou-se de mim. «Ouve, Chinaski, não acredito nessas tretas de que vives nos subúrbios e conheces todos os dealers, chulos, putas, drogados, rufias, brigões e bêbedos...»
«E verdade, em parte.»
«Tretas», disse e pôs-se a andar. Um crítico literário.
Nesse momento, uma loira com dezanove anos e de óculos sem aro aproximou-se de mim. O seu sorriso não se apagava. «Eu quero foder contigo», disse. «E por causa da tua cara.»
«O que tem a minha cara?»
«É magnífica. Quero destruí-la com a minha cona.»
«Pode acontecer o contrário.»
«Não te fies nisso.»
«Tens razão. As conas são indestrutíveis.»
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