Mulheres
to, mas eu tinha apostado dez dólares.…
to, mas eu tinha apostado dez dólares. O tipo voltou-se e olhou para Katherine. «Tenho aquele, a dez dólares.»
Ela virou a cara. «Tem o rosto amarelo, Hank. Viste os olhos dele? Está doente.»
«O sonho é que o põe doente. É o sonho que nos deixa a todos doentes. É por isso que estamos aqui.»
«Vamo-nos embora, Hank.»
«Está bem.»
Nessa noite, ela esvaziou meia garrafa de vinho tinto, de bom vinho tinto, estava calma e triste. Eu sabia que ela me metia no mesmo saco dos tipos das corridas a cavalo e dos combates de boxe. E era verdade, eu estava com eles, era um deles. Katherine sabia que em mim havia algo de mau, quer nos meus actos, quer no meu ser. Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil. A única coisa que desejava verdadeiramente era um espaço doce e nebuloso para viver, e que me deixassem em paz. Por outro lado, quando me embebedava, gritava, tornava-me louco, perdia a cabeça. Os dois comportamentos não se coadunavam. Estava-me na tintas.
Nessa noite a foda foi formidável, mas foi a noite em que a perdi. Não podia fazer nada. Caí para o lado, limpei-me ao lençol, enquanto ela se dirigiu ao quarto-de-banho. Sobre nós, um helicóptero da polícia sobrevoava Hollywood.
39
Na noite seguinte Bobby e Valerie fizeram-me uma visita. Tinham acabado de mudar-se do meu prédio e viviam agora do outro lado do pátio. Bobby trazia uma camisa de malha. Tudo lhe ficava bem, as calças eram justas, os sapatos estavam na moda
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