Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 31 de 247

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Mulheres

Continuei a beber e a ganhar. Ao…

Continuei a beber e a ganhar. Ao fim da nona, tinha mais novecentos e cinquenta dólares e estava bastante bêbedo. Pus a carteira num bolso interior e dirigi-me devagar para o carro.

Sentei-me nele a ver os que perderam deixarem o parque de estacionamento. Fiquei ali sentado até o trânsito escassear e só então pus o motor a trabalhar. Mesmo à saída da pista de corridas havia um supermercado. Vi, numa das saídas do parque de estacionamento, uma cabine telefónica iluminada, dirigi-me para lá, saí, e marquei o número de Lydia.

«Escuta», disse eu, «escuta minha puta. Esta noite fui às corridas de atrelado e ganhei novecentos e cinquenta dólares. Ganhei! Sempre fui um vencedor! Pronto, acabou-se! Quero acabar! É isso! Não preciso de ti e dos teus jogos de merda! Entendes? Recebeste a mensagem? Ou será que a tua cabeça é mais espessa que os tornozelos?»

«Hank...»

«Sim?»

«Não sou a Lydia. Sou a Bonnie. Estou a tomar conta dos filhos dela. Ela saiu.»

Desliguei e voltei para o carro.

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Lydia telefonou-me de manhã. «Sempre que estiveres bêbedo saio para ir dançar. Ontem à noite fui a Red Umbrella e convidei homens para dançarem comigo. Uma mulher tem o direito de fazer isso.»

«Es uma puta.»

«Ah, sim? Bem, se há algo pior que uma puta é um chato.»

«Se há algo pior que um chato é uma puta chata.»

«Se não queres a minha rata, ofereço-a a outro.»

«E tua obrigação.»

«Depois de ter dançado, fui ver o Marvin. Queria pedir-lhe a direcção da namorada para ir visitá-la. Francine. Tu mesmo foste vê-la numa noite.»

«Ouve, nunca fodi com ela. Depois da festa estava demasia- do bêbedo para conduzir. Nem sequer nos beijámos. Ela deixou-me dormir no sofá e de manhã fui para casa.»

«De qualquer modo, depois de estar com Marvin, perdi todo o interesse em perguntar-lhe a direcção de Francine.»

Os pais de Marvin tinham dinheiro. Ele tinha uma casa à beira-mar. Marvin escrevia poesia melhor do que muitos. Eu gostava dele.

«Espero que tenhas passado uma noite agradável», e desliguei.

Mal desliguei o telefone tocou outra vez. Era Marvin. «Eh, imagina quem cá veio a noite passada? Lydia. Bateu à janela e deixei-a entrar. Deixou-me...»

«OK, Marvin. Compreendo. Não te culpo.»

«Não estás bêbedo?»

«Para ti, não»

«Bom, então...»

Agarrei na escultura e meti-a no carro. Fui para casa de Lydia e pus a cabeça à porta das escadas. Não toquei à campainha. Ia-me embora quando ela saiu.

«Porque és tão cretino?», perguntou-me.

Virei-me. «Não sabes escolher. Para ti qualquer um te serve. Não aturo mais a tua estupidez.»

«Nem eu!», gritou e fechou a porta.

Voltei para o carro e liguei. Meti a primeira. Não se mexeu. Tentei a marcha-atrás. O carro recuou. Travei e tentei mais uma vez a primeira. Não se mexeu. Eu ainda estava furioso com Lydia e pensei, bem, vou de marcha-atrás até casa. Depois pensei nos polícias que haviam de mandar-me parar para perguntar que raio estava eu a fazer. Pois, senhor guarda, tive uma zanga com a minha namorada e esta era a única maneira de eu regressar a casa.

Já não me sentia enfurecido com Lydia. Saí do carro e dirigi-me à sua porta. Ela tinha levado a cabeça. Bati. Lydia abriu a porta. «És feiticeira?», perguntei.

«Não, sou puta, lembras-te?»

«Tens de me levar a casa. O meu carro só anda para trás. Aquela porcaria está enfeitiçada.»

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