Mulheres
deado. Ele não cedeu. Meu Deus, o…
deado. Ele não cedeu. Meu Deus, o que teria feito Jack London? O que teria feito Hemingway? E Jean Genet?
Continuei a bater no cadeado. Às vezes falhava e a minha mão batia no cadeado ou na caixa metálica.
Pele rasgada e sangue a correr. Reuni as minhas últimas energias para dar a última pancada. O cadeado cedeu. Tirei-o e abri a caixa. Não havia telefone. Apenas uma série de botões e grossos cabos. Estendi a mão, toquei num dos cabos e apanhei um choque terrível. Depois carreguei num botão. Ouvi o barulho da água. Gigantescos jactos de água branca foram disparados de três ou quatro buracos da barragem. Carreguei noutro botão. Outros três ou quatro buracos abriram-se, libertando toneladas de água. Carreguei num terceiro botão e abriram-se todos os buracos. Fiquei ali a ver a água correr. Talvez eu tivesse provocado uma inundação e viessem cowboys a cavalo ou em pequenos camiões para me salvarem. Eu já imaginava as parangonas:
HENRY CHINASKI, POETA MENOR, INUNDA O CAMPO DE UTAH PARA CONSERVAR O SEU TRASEIRO DE HABITANTE DE LOS ANGELES.
Decidi que não valia a pena. Voltei a pôr todos os botões na posição inicial, fechei a caixa e coloquei o cadeado estragado. Deixei o reservatório para trás, encontrei outra estrada que subia e segui-a. Esta parecia mais frequentada que a outra. Andei. Nunca me tinha sentido tão cansado. Via dificilmente. De repente, dei de caras com uma miudinha com cerca de cinco anos. Vestia uma pequeno vestido azul e sapatos brancos. Quando ela me viu, parecia assustada. Tentei pôr um ar gentil e amigável enquanto me aproximava dela.
«Não fujas, miúda. Não te quero fazer mal. ESTOU PERDIDO!», gritei. «Onde estão os teus pais? Leva-me aos teus pais!»
A miúda apontou com a mão. Vi um carro com caravana estacionado um pouco mais longe. «Eh! ESTOU PERDIDO!»
«MEU DEUS! ESTOU CONTENTE POR TE TER ENCONTRADO.»
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