Mulheres
Lydia desligou. Bateram à porta. Era Tannie.…
Lydia desligou. Bateram à porta. Era Tannie. Vinha com o champanhe e o troco.
46
No dia seguinte, perto do meio-dia, o telefone tocou. Era Lydia outra vez.
«Então, ela voltou com o champanhe?»
«Quem?»
«A tua puta.»
«Sim, voltou...»
«E o que se passou?»
«Bebemos o champanhe. Era bom.»
«E depois o que aconteceu?»
«Ora merda, tu sabes...»
Ouvi um longo e louco gemido, como um carcaju abatido na neve do Árctico, e deixado abandonado a agonizar e a perder sangue...
Ela desligou.
Dormi quase toda a tarde, e à noite fui às corridas.
Perdi 32 dólares, voltei ao carro e fui para casa. Estacionei, caminhei até à sacada e pus as chaves na porta. As luzes estavam todas acesas. Olhei à volta. As gavetas estavam viradas no chão, assim como as colchas. Todos os livros tinham desaparecido da estante, mesmo os que eu tinha escrito e que rondavam os vinte. E desaparecera a máquina de escrever, a torradeira, o rádio e os quadros.
Lydia, pensei.
A única coisa que deixou foi o televisor, porque ela sabia que eu nunca via televisão.
Saí e deparou-se-me o carro dela, mas Lydia não estava lá dentro. «Lydia! Eh, miúda!»
Subi e desci a rua antes de lhe ver os dois pés que saíam por detrás de uma pequena árvore junto ao muro dum prédio.
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