Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 88 de 247

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Mulheres

Lydia desligou. Bateram à porta. Era Tannie.…

Lydia desligou. Bateram à porta. Era Tannie. Vinha com o champanhe e o troco.

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No dia seguinte, perto do meio-dia, o telefone tocou. Era Lydia outra vez.

«Então, ela voltou com o champanhe?»

«Quem?»

«A tua puta.»

«Sim, voltou...»

«E o que se passou?»

«Bebemos o champanhe. Era bom.»

«E depois o que aconteceu?»

«Ora merda, tu sabes...»

Ouvi um longo e louco gemido, como um carcaju abatido na neve do Árctico, e deixado abandonado a agonizar e a perder sangue...

Ela desligou.

Dormi quase toda a tarde, e à noite fui às corridas.

Perdi 32 dólares, voltei ao carro e fui para casa. Estacionei, caminhei até à sacada e pus as chaves na porta. As luzes estavam todas acesas. Olhei à volta. As gavetas estavam viradas no chão, assim como as colchas. Todos os livros tinham desaparecido da estante, mesmo os que eu tinha escrito e que rondavam os vinte. E desaparecera a máquina de escrever, a torradeira, o rádio e os quadros.

Lydia, pensei.

A única coisa que deixou foi o televisor, porque ela sabia que eu nunca via televisão.

Saí e deparou-se-me o carro dela, mas Lydia não estava lá dentro. «Lydia! Eh, miúda!»

Subi e desci a rua antes de lhe ver os dois pés que saíam por detrás de uma pequena árvore junto ao muro dum prédio.

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