Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 217 de 247

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Mulheres

«Como vai a escrita?», perguntou. «Já saíram mais livros?»

«Não, mas ando a trabalhar num romance.»

«Como se chama?»

«Ainda não tem título.»

«Vai ser um bom romance?»

«Não sei.»

Durante algum tempo nenhum de nós falou. Acabei o meu vodka e pedi outro. Valência não era do meu género, em nenhum sentido da palavra. Eu não gostava dela. Há pessoas assim - não se gosta delas logo à primeira vista.

«Há uma japonesa onde trabalho. Ela faz tudo para me lixar. Dou-me bem com o chefe, mas aquela puta põe-me mal disposta durante o dia. Qualquer dia dou-lhe um pontapé no eu.»

«De onde és?»

«De Chicago.»

«Não gostei de Chicago», disse eu.

«Eu gosto.»

Acabámos de beber. Valência passou-me a sua conta. «Importas-te de pagar isto? Também tenho uma salada de camarões.»

Tirei a chave para abrir a porta.

«Este é o teu carro?»

«Sim.»

«Achas que entro num carro velho como este?»

«Olha, se não queres entrar, não entres.»

Valência entrou. Tirou o seu espelho e começou a maquilhar-se enquanto íamos a caminho. Não era muito longe de minha casa. Estacionei.

Já dentro de casa, ela disse: «Esta casa está porca. Precisas de alguém que a mantenha limpa».

Tirei o vodka e a 7Up e preparei dois copos.

Valência descalçou as botas.

«Onde está a tua máquina de escrever?»

«Na mesa da cozinha.»

«Não tens uma secretária? Pensei que os escritores tivessem secretárias.»

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