Mulheres
«O que se passa?»
«Bem, eu disse a Debra que passava o Thanksgiving com ela. Ela está a contar comigo. Mas agora aconteceu outra coisa.»
«O quê?»
«Bem, ainda não te contei. Como sabes, tu e eu nunca fizemos sexo. O sexo altera as coisas.»
«O que aconteceu?»
«No Canadá conheci uma tipa que fazia dança do ventre.»
«A sério? E estás apaixonado?»
«Não, não estou apaixonado.»
«Espera, está aqui um cliente. Podes esperar?»
«Está bem.»
Sentei-me na cama, com o auscultador no ouvido. Ainda estava nu. Olhei para o meu pénis: tu, seu filho da puta! Sabes as angústias que me causas com a tua fome estúpida?
Esperei durante cinco minutos com o telefone no ouvido. Era uma chamada longa. Pelo menos era Debra que ia pagar a conta.
«Cá estou», disse Sara. «Continua.»
«Pois bem, quando estive em Vancouver disse à dançarina de ventre que viesse visitar-me a L. A.»
«E então?»
«Pois bem, já te disse que eu havia prometido a Debra que passávamos o Thanksgiving juntos...»
«Também me prometeste o mesmo», disse Sara.
«A sério?»
«Bem, estavas bêbedo. Disseste que, como qualquer americano, não gostavas de ficar sozinho nos dias de festa. Depois beijaste-me e perguntaste-me se podíamos passar a Thanksgiving juntos.»
«Desculpa, não me recordo...»
«Não há problema. Espera... está aqui outro cliente...»
Pousei o telefone e fui servir-me dum copo. Quando regressei ao quarto, vi a minha enorme barriga no espelho. Era feia, obscena. Como é que as mulheres me toleravam?
Agarrava no telefone com uma mão e o copo com a outra. Sara voltou.
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