Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 59 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Era verdade. Havia uma mancha escura na…

Era verdade. Havia uma mancha escura na coxa e uma perna das calças estava encharcada.

«Está bem», disse eu.

Ofereci-lhe uma bebida e ela ficou ali sentada, em silêncio, com o copo na mão. Eu nem sequer um copo podia segurar. Nenhum de nós falou. Pouco tempo depois bateram à porta. Levantei-me e abri. A minha enorme barriga, branca e mole, saía acima dos calções. Estavam dois polícias à porta.

«Olá», disse eu.

«Estamos aqui porque nos chamaram por causa de um distúrbio.»

«Apenas um pequeno problema familiar.»

«Temos alguns detalhes», disse o polícia que estava mais próximo de mim. «Há duas mulheres.»

«Há habitualmente», respondi.

«Está bem», disse o primeiro polícia. «Só lhe quero fazer uma pergunta.»

«OK.»

«Qual das duas quer você?»

«Esta aqui.» Apontei para Lydia, sentada na cadeira, toda mijada.

«Muito bem, senhor. Tem a certeza?»

«Tenho a certeza.»

Os polícias partiram e lá estava eu de novo com Lydia.

29

Na manhã seguinte o telefone tocou. Lydia tinha ido para casa. Era Bobby, o miúdo que vivia mesmo ao lado e que trabalhava numa livraria de pornografia.

«Mindy está aqui. Ela quer que venhas cá para falares com ela.»

«Está bem.»

Fui para lá com três garrafas de cerveja. Mindy trazia saltos e um conjunto preto transparente da Frederick’s. Parecia um vestido de boneca e podiam ver-se as calcinhas pretas. Não trazia

87