Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 18 de 247

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Regressei, fiz amor com Lydia bastantes vezes,…

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Regressei, fiz amor com Lydia bastantes vezes, discuti com ela, e numa manhã parti do aeroporto de L. A., para fazer uma leitura em Arkansas. Tive a sorte de ter só para mim uma fila inteira de lugares. Se bem entendi, o comandante de bordo apresentou-se como sendo o comandante Winehead. Quando as hospedeiras apareceram, pedi uma bebida.

Tinha a certeza de que conhecia uma das hospedeiras. Ela vivia em Long Beach, lera alguns dos meus livros e tinha-me escrito uma carta acompanhada de uma fotografia e do seu número de telefone. Reconhecia-a pela fotografia. Nunca tivera a oportunidade de a encontrar, mas telefonei-lhe algumas vezes, e numa noite de bebedeira gritámos ao telefone.

Ela ficou à frente, fingindo que não me via, enquanto eu fixava o seu traseiro, as suas pernas e os seus seios.

Almoçámos, vimos a partida de basebol da semana. O vinho que eu tinha bebido depois do almoço queimou-me a garganta, e pedi dois Bloody Mary.

Depois de chegarmos a Arkansas, entrei para um pequeno bimotor. Quando as hélices começaram a girar, as asas puseram-se a vibrar, a tremer. Parecia que iam cair. Descolámos e a hospedeira perguntou se alguém queria uma bebida. Todos nós precisávamos. Ela vacilava e ziguezagueava entre as filas a vender bebidas. Depois, disse bem alto: «ACABEM AS VOSSAS BEBIDAS! VAMOS ATERRAR!». Bebemos e aterrámos. Quinze minutos depois, estávamos de novo no ar. A hospedeira perguntou se alguém queria beber. Todos nós precisávamos de uma. Depois, ela gritou bem alto: «ACABEM AS VOSSAS BEBIDAS! VAMOS ATERRAR!».

O professor Peter James e a sua mulher, Selma, estavam à minha espera. Selma parecia uma vedeta de cinema, mas com muito mais classe.

«Você está com bom aspecto», disse Pete.

«A sua mulher é que está.»

Pete guiou até casa. Era um edifício de dois andares, e o quarto dos convidados ficava no andar de baixo. Mostraram-me o

31 meu quarto, no rés-do-chão. «Quer comer?», perguntou Pete. «Não, tenho a impressão de que vou vomitar.» Subimos ao primeiro andar.

Atrás do palco, pouco antes da leitura, Pete encheu um jarro com vodka e sumo de laranja. «E uma senhora idosa que se encarrega das leituras. Ela teria ficado lixada se soubesse que estiveste a beber. É uma mulher simpática, mas ainda pensa que a poesia deve ser lida sobre crepúsculos e pombas a voar.»

Entrei em cena e li. A sorte acompanhava-me. Eles eram como qualquer outra audiência: não sabiam como receber os bons poemas e dos outros riam-se no momento errado. Continuei a ler e a esvaziar o jarro.

«O que está a beber?»

«Isto», respondi, «é sumo de laranja misturado com vida.»

«Tem namorada?»

«Sou virgem.»

«Porque quis tornar-se escritor?»

«A pergunta seguinte, por favor.»

Li um pouco mais. Disse-lhes que tinha voado com o comandante Winehead e que tinha visto o jogo de basebol da semana. Disse-lhes que, quando estava na posse das minhas capacidades intelectuais, comia uma refeição e que lavava o prato imediatamente a seguir. Li mais alguns poemas. Li até que o jarro ficasse vazio. Depois disse-lhes que a leitura tinha terminado. Distribuí alguns autógrafos e fomos para uma festa em casa de Pete...

Executei a minha dança indiana, a minha dança do ventre e a dança de eu ao léu. É difícil beber quando se dança. É difícil dançar, quando se bebe. Pete sabia o que estava a fazer. Ele tinha posto sofás e cadeiras alinhadas para separar os que dançavam dos que bebiam. Cada um podia entregar-se à sua actividade preferida sem chatear os outros.

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