Mulheres
«Talvez suspendam as aulas. É difícil prever.…
«Talvez suspendam as aulas. É difícil prever. O melhor é eu comer.»
Bill pôs os ovos na água.
«Não te percebo», disse ele, «nem sequer pareces ressacado.»
«Todas as manhãs estou ressacado. E o meu estado normal. Estou habituado.»
«Ainda escreves coisas boas, apesar dessas bebedeiras.»
«Vamos parar com isso. Talvez seja pela quantidade de ratas. Não cozas demasiado esses ovos.»
Fui cagar à casa-de-banho. A prisão de ventre não era um dos meus problemas. Ia a sair quando ouvi Bill gritar: «Chinaski!».
Depois ouvi-o a vomitar no pátio. Voltou.
O pobre-diabo estava mesmo doente.
«Toma um pouco de bicarbonato de sódio. Tens Valium?»
«Não.»
«Então espera dez minutos depois de tomares o bicarbonato e bebe uma cerveja quente. Deita-a já num copo para apanhar ar.»
«Tenho um benzedrine.»
«Toma-o.»
Estava a escurecer cada vez mais. Quinze minutos depois do benzedrine Bill tomou um banho de chuveiro. Quando saiu, estava com bom aspecto. Comeu uma sanduíche de manteiga de amendoim com banana às rodelas. Ia ficar bem.
«Ainda amas a tua mulher, não é?», perguntei.
«Claro que sim.»
«Eu sei que isto não ajuda, mas tenta perceber que isso já aconteceu a todos nós, pelo menos uma vez.»
«Isso não me serve de nada.»
«Desde que uma mulher se vire contra ti, esquece-a. Elas podem amar-nos, mas de repente algo muda nelas. Podem ver-te morrer numa valeta, debaixo dum carro, e cospem-te em cima.»
«Cecelia é uma mulher fabulosa.»
Continuava a escurecer. «Vamos beber algumas cervejas», disse eu.
Sentámo-nos e bebemos. Estava mesmo escuro e fazia um vento forte. Não falámos muito. Eu estava contente por nos termos encontrado. Ele era um tipo porreiro. Estava cansado, tal-
184