Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 144 de 247

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Mulheres

meus amigos! Doses duplas para toda a…

meus amigos! Doses duplas para toda a gente, e não deite água nas bebidas, senão arranco-lhe o casaco e a gravata!”». «Não aguento esperar mais!», disse Cecelia.

Por volta das duas horas da tarde, Cecelia quis dar um passeio higiénico. Atravessámos o jardim. Ela reparou nas dálias. Avançou para elas e meteu a cara nas flores, acariciando-as com os dedos.

«Oh, são tão belas\»

«Estão a morrer, Cecelia. Não vês como estão murchas? É o smogque as mata.»

Caminhámos sob as palmeiras.

«E há pássaros por todos os lados! Centenas de pássaros, Hank!»

«E dezenas de gatos.»

Fomos de carro para Manhattan Beach com Bobby e Valerie, instalámo-nos no nosso apartamento frente ao mar, e saímos para jantar. O jantar estava bom. Cecelia tomou um copo a acompanhar a refeição e explicou tudo sobre o vegetarianismo.

Ela comeu uma sopa, salada e iogurte, e nós comemos bifes, pão francês e salada. Bobby e Valerie roubaram o saleiro e o pimenteiro, duas facas de carne e a gorjeta que eu tinha deixado ao empregado.

Parámos para comprar bebidas, gelo e cigarros antes de irmos para casa. O único copo que Cecelia tinha bebido deixou-a bem disposta, e explicou-nos que até mesmo os animais tinham alma. Nenhum de nós a contrariou. Sabíamos que era possível. Do que não tínhamos a certeza era se nós tínhamos uma.

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Continuámos a beber. Cecelia bebeu mais um e parou. «Apetece-me sair para ver a lua e as estrelas», disse ela. «É tão bonito.»

«OK, Cecelia.»

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Saiu e sentou-se numa cadeira de descanso ao pé da piscina.

«Não admira que o Bill tenha morrido», disse eu. «Morreu de fome. Ela nunca dá nada.»

«Ela disse precisamente a mesma coisa de ti, durante o jantar, quando foste à casa-de-banho. Disse: ”Os poemas do Hank são cheios de paixão, mas como pessoa ele não é nada assim!”.»

«Eu e Deus nem sempre apanhamos o mesmo cavalo.»

«Já a fodeste?», perguntou Bobby.

«Não.»

«Como era o Keesing?»

«Porreiro. Mas pergunto-me como ele ficou sem ela. Talvez os comprimidos e a codeína o ajudassem. Talvez ela fosse uma enorme flor-criança-enfermeira para ele.»

«Fode-a», disse Bobby. «Vamos beber.»

«Sim? Se eu tivesse que escolher entre beber e foder, penso que deixava de foder.»

«Foder pode trazer problemas», disse Valerie.

«Quando a minha mulher sai para foder com alguém, ponho o pijama, tapo-me e adormeço», disse Bobby.

«Ele é frio», disse Valerie.

«Nenhum de nós sabe muito bem o que fazer com o sexo, como usá-lo», disse eu. «Para a maior parte das pessoas, o sexo é um brinquedo - monta-se e deixa-se que ele corra.»

«E o amor?», perguntou Valerie.

«O amor só convém aos que são capazes de suportar essa sobrecarga psíquica. É como tentar atravessar um caudal de mijo com um caixote cheio de lixo às costas.»

«Oh, não é assim tão mau!»

«O amor é uma espécie de preconceito. Eu já tenho muitos.»

Valerie foi para a janela.

«As pessoas estão-se a divertir, mergulham na piscina, e ela ali a olhar para a lua.»

«O homem dela acabou de morrer», disse Bobby. «Dá-lhe tempo.»

Agarrei na minha garrafa e fui para o quarto. Despi as calças e fui para a cama. Nada estava bem. As pessoas agarravam-se cegamente à primeira coisa que lhes aparecesse: comunismo, or-

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