Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 184 de 247

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Mulheres

Pat tinha barba preta e cabelos compridos.…

Pat tinha barba preta e cabelos compridos. Sentou-se no chão, junto aos meus pés.

«Sou poeta», disse ele.

Dei uma golada de vinho.

«Como é que se faz para publicar?», perguntou-me.

«Submetes os textos ao editor.»

«Mas sou um desconhecido.»

«Todos começam por ser desconhecidos.»

«Eu faço leituras três noites por semana. Como sou actor, leio muito bem. Penso que, se leio as minhas coisas com alguma frequência, alguém há-de ter vontade de as publicar.»

«Não é impossível.»

«O problema é que, quando leio, ninguém aparece.»

«Não sei o que dizer-te.»

«Vou fazer uma edição de autor.»

«O Whitman fez isso.»

«Lês-nos alguns dos teus poemas?»

«Não, meu Deus.»

«Porque não?»

«Só me apetece beber.»

«Nos teus livros só falas nisso. Achas que a bebida te tem ajudado na escrita?»

«Não. Sou um alcoólico que se tornou escritor para poder ficar na cama até ao meio-dia.»

Virei-me para Sara. «Não sabia que tinhas tantos amigos.»

«Não é habitual. Geralmente, não é assim.»

«Ainda bem que temos muito vinho.»

«Tenho a certeza que não ficam muito tempo», disse ela.

Os outros conversavam. A conversa desviou-se e eu deixei de ouvir. Sara era simpática para mini. Falava com vivacidade e mordacidade. Tinha uma óptima memória. Pearl e Jack foram os primeiros a partir. Depois foi o Jean John. Depois Pat, o poeta. Ron sentou-se ao lado de Sara e eu sentei-me do outro. Ficámos só nós os três. Ron serviu-se de um copo de vinho. Eu não tinha esperanças que ele se fosse embora. Ele vivia com ela. Servi vinho a Sara e a mim. Depois de beber disse a Sara e a Ron: «Bom, acho que vou andando».

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