Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 137 de 247

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Mulheres

«Ficamos aqui os dois», respondi.

«Tu bebes bem.»

«Não se faz mais nada.»

«Deves ter tripas de ferro.»

«Nem por isso. Um dia, foram-se abaixo. Mas quando as tripas estão tapadas, parecem ser mais resistentes do que a melhor soldadura.»

«Quanto tempo pensas viver?», perguntou-me.

«Tenho tudo planeado. Vou morrer no ano 2000, quando tiver 80 anos.»

«Estranho», disse Keesing. «É precisamente o ano em que vou morrer. 2000. Até sonhei com o dia e a hora da minha morte. De qualquer modo, é no ano 2000.»

«É um bonito número, redondo. Gosto dele.»

Bebemos durante uma ou duas horas. Fiquei no quarto dos hóspedes. Keesing dormiu no sofá. Aparentemente, Cecelia queria mesmo divorciar-se dele.

Acordei na manhã seguinte às dez e meia. Havia um resto de cerveja. Consegui beber uma. Estava na segunda quando apareceu Keesing.

«Meu Deus, como consegues? Pareces um rapaz de 18 anos.»

«Tenho manhãs más. Esta não é uma delas.»

«Tenho uma aula de Inglês à uma hora. Tenho de estar apresentável.»

«Toma um gin.»

«Preciso de comer.»

«Come dois ovos cozidos, com um pouco de chili ou paprica.»

«Posso cozer dois?»

«Sim, obrigado.»

O telefone tocou. Era Cecelia. Bill falou-lhe durante algum tempo e desligou. «Está-se a aproximar um tornado. Um dos maiores da história deste estado. Deve dirigir-se para aqui.»

«Acontece sempre qualquer coisa quando leio poemas.»

Apercebi-me que começava a escurecer.

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