Mulheres
«Ficamos aqui os dois», respondi.
«Tu bebes bem.»
«Não se faz mais nada.»
«Deves ter tripas de ferro.»
«Nem por isso. Um dia, foram-se abaixo. Mas quando as tripas estão tapadas, parecem ser mais resistentes do que a melhor soldadura.»
«Quanto tempo pensas viver?», perguntou-me.
«Tenho tudo planeado. Vou morrer no ano 2000, quando tiver 80 anos.»
«Estranho», disse Keesing. «É precisamente o ano em que vou morrer. 2000. Até sonhei com o dia e a hora da minha morte. De qualquer modo, é no ano 2000.»
«É um bonito número, redondo. Gosto dele.»
Bebemos durante uma ou duas horas. Fiquei no quarto dos hóspedes. Keesing dormiu no sofá. Aparentemente, Cecelia queria mesmo divorciar-se dele.
Acordei na manhã seguinte às dez e meia. Havia um resto de cerveja. Consegui beber uma. Estava na segunda quando apareceu Keesing.
«Meu Deus, como consegues? Pareces um rapaz de 18 anos.»
«Tenho manhãs más. Esta não é uma delas.»
«Tenho uma aula de Inglês à uma hora. Tenho de estar apresentável.»
«Toma um gin.»
«Preciso de comer.»
«Come dois ovos cozidos, com um pouco de chili ou paprica.»
«Posso cozer dois?»
«Sim, obrigado.»
O telefone tocou. Era Cecelia. Bill falou-lhe durante algum tempo e desligou. «Está-se a aproximar um tornado. Um dos maiores da história deste estado. Deve dirigir-se para aqui.»
«Acontece sempre qualquer coisa quando leio poemas.»
Apercebi-me que começava a escurecer.
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