Mulheres
tornozelos finos, jovem. Trazia um chapéu branco…
tornozelos finos, jovem. Trazia um chapéu branco de abas inclinadas com bastante gosto sobre os seus enormes e sorridentes olhos castanhos. Tinha charme. Ela nunca mostraria o eu numa sala de espera de aeroporto.
E lá estava eu, cento e três quilos, permanentemente perdido e confuso, curto de pernas e como um macaco da cintura para baixo, sem pescoço, uma cabeça enorme, olhos lacrimejantes, cabelos despenteados, um metro e oitenta de bonomia à espera dela.
Katherine avançou para mim. Aqueles longos cabelos ruivos. As mulheres do Texas são tão descontraídas, naturais. Beijei-a e perguntei se tinha bagagem. Depois, propus-lhe uma passagem pelo bar. As empregadas traziam curtos vestidos vermelhos, que deixavam ver as calcinhas brancas com folhos. Os vestidos eram decotados e deixavam ver os seios. Elas mereciam de facto os salários e as gorjetas até à última moeda. Viviam nos subúrbios e odiavam os homens. Viviam com as mães, os irmãos e apaixonavam-se pelos seus psiquiatras.
Acabámos de beber e fomos procurar a bagagem dela. Muitos homens tentaram chamar a sua atenção, mas ela caminhava ao meu lado, agarrando-me o braço. Há muito poucas mulheres bonitas que aceitam mostrar em público que pertencem a alguém. Tinha conhecido mulheres suficientes para perceber isto. Eu aceitava-as por aquilo que eram e o amor chegava rara e dificilmente.
Quando aparecia, era habitualmente por razões erradas. Simplesmente porque as pessoas se cansam de recusar o amor e deixam-se ir porque precisam de ir para algum lugar. Depois, começam os problemas.
Em minha casa, Katherine abriu a sua mala e tirou um par de luvas de borracha. Riu-se.
«O que é isso?», perguntei.
«Darlem - a minha melhor amiga - viu-me a fazer a mala e disse-me: ”Que diabo estás a fazer?” e eu disse-lhe: ”Nunca vi a casa de Hank, mas sei que não poderei cozinhar, viver e dormir lá sem limpá-la!”.»
Depois deu uma daquelas alegres gargalhadas do Texas. Foi
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à casa-de-banho e pôs um par dejeans e uma blusa cor de laranja, voltou descalça e foi para a cozinha com as suas luvas de borracha.
Também fui à casa-de-banho mudar de roupa. E decidi que se Lydia aparecesse não a deixaria tocar em Katherine. Lydia? Onde estava ela? O que estava a fazer?
Dirigi uma pequena oração aos deuses para que velassem por mim: por favor, mantenham-na afastada. Deixem-na chupar os cornos dos cowboys e dançar até às 3 da manhã - mas, por favor, mantenham-na afastada...
Quando saí, Katherine, de joelhos, esfregava dois bons anos de gordura do chão da cozinha.
«Katherine, vamos sair para a cidade. Vamos jantar. Isto não é maneira de começar.»
«Está bem, Hank, mas tenho de acabar primeiro este chão. Depois vamos.»
Sentei-me à espera. Estava sentado no sofá à espera, quando ela apareceu. Inclinou-se sobre mim e beijou-me, rindo-se: «És um velho porco!». Depois foi para o quarto. Eu estava outra vez apaixonado, estava outra vez com problemas...
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Depois do jantar, voltámos para casa e conversámos. Ela estava completamente doida pela dietética, os seus pratos favoritos eram galinha e peixe. Aquilo resultava certamente com ela.
«Hank, amanhã limpo a tua casa-de-banho.»
«Está bem.»
«E tenho de fazer os meus exercícios todos os dias. Isso chateia-te?»
«Não, não.»
«Conseguirás escrever enquanto ando por aí?»
«Não há problema.»
«Eu posso ir dar umas voltas.»
«Não, sozinha neste quarteirão, não.»
«Não quero interferir com o teu trabalho.»
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