Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 232 de 247

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Mulheres

mau. Mas ele estava com problemas. Estava…

mau. Mas ele estava com problemas. Estava a envelhecer. Os caracóis dourados já não estavam tão loiros e a inocência dos seus enormes olhos tinha esmorecido um pouco. Em breve ele teria desgostos.

Aplaudimos.

«Muito bom, meu», disse eu.

«Gostaste a sério, Hank?»

Pus a mão no ar.

«Sabes, sempre gostei das tuas coisas», disse ele.

«Obrigado.»

Começou a tocar outra canção. Era também sobre uma mulher. A sua mulher, a sua ex-mulher: ela tinha passado a noite fora. Tinha algum humor, mas não tinha a certeza se era deliberado. Dinky acabou e nós aplaudimos. Passou à seguinte.

Dinky estava inspirado. A sua voz tinha muito volume. Os seus pés torciam-se e enrolavam-se dentro dos seus ténis. Agora, era mesmo ele. Ele não estava bem e não cantou bem, mas o produto final era muito melhor do que ouvíamos habitualmente. Aborreci-me por não poder aplaudir sem reservas. Mas se se mente a um homem sobre o seu talento só porque ele está sentado à nossa frente essa é a mais imperdoável das mentiras, porque isso encoraja-o a continuar, e para um homem sem talento é a pior maneira de lhe destruir a vida. Mas muita gente fazia isso, sobretudo amigos e parentes.

Dinky tocou outra. Ele ia tocar-nos as dez. Ouvíamos e aplaudíamos, mas por fim os meus aplausos eram os menos convictos.

«Não gostei do terceiro verso, Dinky», disse eu.

«Mas é necessário, vês, porque...»

«Eu sei.»

Dinky continuou. Cantou-nos todas as canções. Levou algum tempo. Fazia pausas entre uma e outra. Quando por fim chegou o Ano Novo, Dinky, Janis, Sara e Hank estavam todos juntos. Mas, felizmente, a caixa da guitarra estava fechada. E o júri bêbedo.

Dinky e Janis partiram por volta da uma hora da manhã. Sara e eu fomo-nos deitar. Abraçámo-nos e beijámo-nos. Como já

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