Mulheres
«OK, é assim. A dançarina telefonou-me no…
«Pronto. Continua.»
«OK, é assim. A dançarina telefonou-me no outro dia à noite. Só que ela não é dançarina nenhuma, é uma criada de mesa. Disse-me que vinha a L. A. para passar o Thanksgiving comigo. Parecia tão contente.»
«Devias ter-lhe dito que já tinhas um compromisso.»
«Não disse...»
«Não tiveste coragem.»
«íris tem um corpo de sonho...»
«Há mais coisas na vida, para além de corpos bonitos.»
«De qualquer modo, tenho de dizer a Debra que não posso passar o Thanksgiving com ela, e não sei como fazê-lo.»
«Onde estás?»
«Estou na cama de Debra.»
«E ela onde está?»
«No trabalho.» Não consegui conter o choro.
«Não passas de um choramingas.»
«Eu sei. Mas tenho de lhe dizer. Isto põe-me doido.»
«Tu arranjaste a bronca. Agora tens de ser tu a sair dela.»
«Pensei que me ajudasses, pensei que me dissesses o que devia fazer.»
«Queres que te mude as fraldas? Queres que lhe telefone?»
«Não, está bem. Sou um homem. Telefono-lhe eu mesmo. Vou telefonar-lhe agora mesmo. Vou dizer-lhe a verdade. Vou sair desta merda!»
«Muito bem. Diz-me depois como correu.»
«É por causa da minha infância, compreende. Nunca soube o que era o amor...»
«Telefona-me mais tarde.»
Sara desligou.
Servi-me de mais vinho. Não percebia o que estava a passar-se comigo. Estava a perder a minha experiência de vida. Tinha perdido o sentido de humor perante os problemas dos outros. Queria reaver tudo isso. Queria que as coisas me corressem bem. Mas sabia vagamente que todas essas qualidades não haviam de
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