Mulheres
East Village, nem ar de professor de…
East Village, nem ar de professor de Inglês, o que ajudava bastante, porque nesse dia estava bastante calor em Nova Iorque, perto de 40 graus. Agarrámos nas bagagens e entrámos no seu carro, não no seu táxi, e ele explicou-nos porque era muito melhor alugar um carro em Nova Iorque. Por isso é que havia tantos táxis. Saímos do aeroporto e começou a conversar. Os condutores eram precisamente como a cidade de Nova Iorque ninguém dava o mais pequeno espaço. Não havia nem compaixão nem cortesia: pára-choque contra pára-choque, avançavam. Eu percebia: alguém que cedesse um palmo provocaria um engarrafamento, um acidente ou um assassínio. O tráfego fluía compactamente, como cagalhões num esgoto. Era maravilhoso ver, nenhum dos condutores estava zangado, estavam simplesmente resignados com os factos.
Mas Gary adorava falar da profissão. «Se estiveres de acordo, gostaria de gravar para um programa da rádio e também de te entrevistar.»
«Está bem, Gary, fazemos isso amanhã, depois da leitura.»
«Vou levar-te para veres o coordenador das leituras. Tem tudo organizado. Ele vai mostrar-te o sítio em que vais ficar, etc. Chama-se Marshall Benchy e não lhe digas que eu detesto as decisões dele.»
Andámos um pouco mais e vimos Marshall Benchy de pé, em frente a uma casa de tijolo vermelho. Era impossível estacionar. Ele saltou para dentro do carro e Gary arrancou. Benchy parecia um poeta, um poeta que vivia do seu dinheiro e que nunca tinha trabalhado para viver - isso percebia-se. Era afectado e meloso - uma pérola.
«Vamos levá-lo ao hotel», disse ele.
Orgulhosamente, recitou uma longa lista de pessoas que tinham estado no meu hotel. Eu conhecia alguns dos nomes, outros não.
Gary parou em frente ao Chelsea Hotel. Saímos. Gary disse, «Vejo-te na leitura. Até amanhã.»
Marshall levou-nos para dentro e conduziu-nos à recepção. O Chelsea não era nada de especial, talvez o seu encanto viesse daí.
150