Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 237 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Mongut deve ter sido muito difícil morrer…

Mongut deve ter sido muito difícil morrer ou muito fácil. Não deve ter tido meios termos.

«Quem era?», perguntou Tanya.

«E a Elsie.»

«Conhece-la?»

«Ela tentou engatar-me. Pediu-me cinquenta dólares por um broche.»

«Ela mete-me nojo... Conheci muitas negróides, mas...»

«O que é um negróide?»

«Uma negróide é uma preta.»

«Oh.»

«Nunca ouviste dizer?»

«Não.»

«Pois, conheci muitas negróides.»

«OK.»

«Ela tem pernas espantosas, olha. Ela quase me deixou excitada.»

«Tanya, as pernas são uma das partes.»

«Que parte?»

«A mais importante.»

«Vamos buscar a bagagem...»

Quando partimos, Elsie gritou: «Adeus, mãe!».

Eu não sabia para qual de nós estava ela a falar.

Já em minha casa, sentámo-nos no sofá a beber.

«Estás chateado por eu ter vindo?», perguntou Tanya.

«Não estou chateado contigo...»

«Tinhas uma namorada. Escreveste-me sobre ela. Ainda estão juntos?»

«Acho que não.»

«Olha, acho que és um grande escritor. Es um dos poucos escritores que consigo ler.»

«A sério? Quem são os outros cabrões?»

«Agora não me lembro dos nomes deles.»

Debrucei-me e beijei-a. Ela estava com a boca aberta e molhada.

305