Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 22 de 247

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Mulheres

absolutamente adorável, com longos cabelos loiros, loucos…

absolutamente adorável, com longos cabelos loiros, loucos olhos azuis e um corpo magnífico.

Como Lydia, ela tinha estado numa casa de doidos. Passado um bocado, ouvi-os chegar e parar em frente ao meu apartamento. Valerie saiu do carro. Lembrei-me de que Bobby me havia contado que, quando ele apresentou Valerie aos seus pais, estes tinham feito um reparo sobre o seu vestido - que gostavam muito dele - e que ela havia dito: «Sim, e o que dizem do resto?». Ela levantou o vestido acima das ancas. E não trazia cuecas.

Valerie bateu à porta. Ouvi o carro de Bobby afastar-se. Fi-la entrar. Estava com óptimo aspecto. Preparei dois whiskies com água. Nenhum de nós falou. Acabámos de beber e preparei outros dois. Depois, disse eu: «Vamos a um bar». Entrámos no meu carro. O Glue Machine ficava precisamente à esquina da rua. No início da semana tinham-se recusado a servir-me, mas desta vez nada disseram quando entrámos. Sentámo-nos e pedimos as bebidas. Continuámos sem dizer palavra. Eu olhava apenas para aqueles loucos olhos azuis. Estávamos sentados lado a lado e beijei-a. A sua boca estava fresca e aberta. Beijei-a outra vez e as nossas pernas apertaram-se mutuamente. Bobby tinha uma mulher espantosa. Bobby era louco em passá-la deste modo.

Decidimos jantar. Pedimos um bife cada um e bebemos e beijámo-nos enquanto esperávamos. A empregada disse: «Oh, estão apaixonados!», e rimo-nos os dois. Quando chegaram os bifes, Valerie disse: «Não tenho vontade de comer o meu».

«Eu também não quero o meu», disse eu.

Passámos uma hora a beber e decidimos depois voltar a minha casa. No momento em que eu parava o carro em frente do meu relvado, vi uma mulher na rua. Era Lydia. Tinha um envelope na mão. Saí do carro com Valerie e Lydia olhou para nós. «Quem é?», perguntou Valerie. «É a mulher que eu amo», respondi-lhe.

«Quem é essa puta?», gritou Lydia.

Valerie deu meia volta e correu rua abaixo. Eu podia ouvir os seus saltos altos sobre o passeio. «Entra», disse à Lydia. Ela seguiu-me.

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«Vim cá para te dar esta carta e parece-me que cheguei na melhor altura. Quem era ela?»

«A mulher de Bobby. Somos apenas amigos.»

«Ias foder com ela, não é?»

«Eu disse-lhe que te amo.»

«Ias foder com ela, não é?»

«Espera, querida...»

De repente, ela deu-me um empurrão. Eu estava de pé, em frente à mesa de café, colocada frente ao sofá. Caí para trás, sobre a mesa, depois no intervalo que separava a mesa do sofá. Ouvi a campainha da porta. E quando me levantei, ouvi o motor do carro de Lydia. Ela arrancou.

Filho da puta, pensei, há um minuto tinhas duas mulheres e agora nenhuma.

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Fiquei surpreendido, na manhã seguinte, quando April bateu à porta. April era a rapariga do ATD que tinha estado na festa de Harry Asco t e que saiu com ofreak. Eram onze horas da manhã. April entrou e sentou-se.

«Sempre admirei o teu trabalho», disse ela.

Trouxe uma cerveja para ela e outra para mim.

«Deus é um isco no céu», disse ela.

«Perfeitamente», respondi.

April era gorda, mas não demasiado. Ela tinha grandes ancas e um eu enorme, e os seus cabelos caíam direitos.

A sua corpulência tinha algo de simiesco. As suas deficiências intelectuais agradavam-me porque ela não fazia jogos. Cruzou as pernas, mostrando-me enormes flancos brancos.

«Plantei sementes de tomate na cave do prédio em que vivo», disse ela.

«Irei buscar alguns quando crescerem», disse eu.

«Nunca tive carta de condução», disse April. «A minha mãe vive em New Jersey.»

«A minha morreu», disse eu. Levantei-me para me ir sentar

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