Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 110 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Determinação dos Volumes dos Compartimentos Líquidos Específicos do Corpo

Figura 25-4. Método indicador-diluição para se medir o volume dos líquidos.

 

DETERMINAÇÃO DOS VOLUMES DOS

COMPARTIMENTOS LÍQUIDOS ESPECÍFICOS DO

CORPO

 

Medida da Água Total do Corpo. 3 A água radioativa (trítio, H O) ou a 2

água pesada (deutério, 2H O) podem ser utilizadas para medir a quantidade 2

total de água do corpo. Essas formas de água se misturam à água total do

corpo poucas horas após terem sido injetadas no sangue, e o princípio da

diluição pode ser usado para calcular a quantidade total de água no corpo

(Tabela 25-3). Outra substância, utilizada para medir o volume total de água

no corpo, é a antipirina, altamente lipossolúvel e pode rapidamente se

difundir pelas membranas celulares e distribuir-se, uniformemente, pelos

compartimentos intra e extracelulares.

Tabela 25-3 Medida dos Volumes dos Líquidos Corporais

Volume Indicadores

Água 3 2 H O, H O, antipirina 2 2

corporal

total

Líquido 22 125 Na, I-iotalamato, tiossulfato, inulina

extracelular

Líquido (Calculado como água corporal total – Volume de líquido extracelular)

intracelular

Volume 125I-albumina, corante azul de Evans (T-1824)

plasmático

Volume 51 Eritrócitos marcados com Cr, ou calculado da seguinte maneira: Volume

sanguíneo plasmático/(1 – hematócrito)

Líquido (Calculado da seguinte maneira: Volume do líquido extracelular − Volume

intersticial plasmático)

 

Medida do Volume Líquido Extracelular. O volume do líquido

extracelular pode ser estimado usando-se qualquer uma das muitas

substâncias que se dispersam no plasma e no líquido intersticial, porém que

não seja permeável pela membrana celular. Elas incluem sódio radioativo,

cloreto radioativo, iotalamato radioativo, íon tiossulfato e inulina. Quando

qualquer uma dessas substâncias é injetada no sangue, ocorre sua dispersão

por quase completamente todo o líquido extracelular, em período de 30 a 60

minutos. Algumas dessas substâncias, entretanto, podem se difundir pelas

células, em pequenas quantidades, por exemplo, o sódio radioativo. Por

essa razão, fala-se frequentemente do espaço do sódio ou do espaço da

inulina, em vez de chamar medida do volume extracelular real.

 

Cálculo do Volume Intracelular. O volume intracelular não pode ser

medido diretamente. Porém, pode ser calculado da seguinte maneira:

Volume intracelular

= Água total do corpo – Volume extracelular

 

Medida do Volume do Plasma. Para medir o volume do plasma, a

substância a ser usada não deve prontamente permear através das

membranas capilares, mas sim permanecer no sistema vascular após a

injeção. Uma das substâncias mais comumente utilizadas para medir o

volume do plasma é a albumina sérica marcada com o iodo radioativo (125I-

albumina). Ainda, corantes que rapidamente se ligam às proteínas do

plasma, por exemplo, o corante azul de Evans (também conhecido por T-

1824), podem ser usados para medir o volume do plasma.

 

Cálculo do Volume de Líquido Intersticial. O volume de líquido

intersticial não pode ser medido diretamente, mas pode ser calculado da

seguinte maneira:

Volume de líquido intersticial

= Volume do líquido extracelular – Volume do plasma

 

Medida do Volume Sanguíneo. Caso o volume do plasma tenha sido

medido pelos métodos descritos antes, o volume sanguíneo também pode

ser calculado sabendo-se o valor do hematócrito (a fração do volume

sanguíneo total composto por células), usando-se a seguinte equação:

 

Por exemplo, se o volume do plasma é de 3 litros e o hematócrito é 0,40, o

volume total sanguíneo poderia ser calculado da seguinte maneira

 

Outra maneira de medir o volume sanguíneo é injetando hemácias

marcadas com material radioativo na circulação. Após a dispersão das hemácias em toda a circulação, a radioatividade de amostra do sangue pode