Tratado de Fisiologia Médica
Controle Fisiológico da Filtração Glomerular e do Fluxo Sanguíneo Renal
Veias interlobares, 8 4 ≈4
interlobulares e arqueadas
Veia renal 4 ≈ 4 ≈0
O FLUXO SANGUÍNEO NOS VASA RECTA DA MEDULA
RENAL É MUITO BAIXO, COMPARADO AO FLUXO NO
CÓRTEX RENAL
A parte externa do rim, o córtex renal, recebe a maior parte do fluxo
sanguíneo renal. O fluxo sanguíneo para a medula renal corresponde a
apenas 1 a 2% do fluxo sanguíneo renal total. O fluxo para a medula renal é
suprido por parte especializada do sistema capilar peritubular, denominada
vasa recta. Esses vasos entram na medula paralelamente ao ramo
descendente das alças de Henle, formam várias alças em diferentes níveis
da medula e retornam ao córtex, também paralelo, às alças de Henle, antes
de se escoarem para o sistema venoso. Como discutido no Capítulo 29, os
vasa recta têm papel importante na formação de urina concentrada pelo rim.
CONTROLE FISIOLÓGICO DA FILTRAÇÃO
GLOMERULAR E DO FLUXO SANGUÍNEO RENAL
Os determinantes da FG mais variáveis e sujeitos ao controle fisiológico
incluem a pressão hidrostática glomerular e a pressão coloidosmótica
capilar glomerular. Essas variáveis, por sua vez, são influenciadas pelo
sistema nervoso simpático, por hormônios e por autacoides (substâncias
vasoativas são liberadas nos rins, agindo localmente) e outros controles por
feedback intrínsecos aos rins.
A INTENSA ATIVAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
SIMPÁTICO DIMINUI A FG
Essencialmente, todos os vasos sanguíneos renais, incluindo as arteríolas
aferentes e eferentes, são ricamente inervados pelas fibras nervosas
simpáticas. A forte ativação dos nervos simpáticos renais pode produzir
constrição das arteríolas renais e diminuir o fluxo sanguíneo renal e a FG. A
estimulação simpática leve ou moderada tem pouca influência no fluxo
sanguíneo renal e na FG. Por exemplo, a ativação reflexa do sistema
nervoso simpático, resultante de diminuições moderadas na pressão dos
barorreceptores do seio carotídeo ou receptores cardiopulmonares, tem
pouca influência sobre o fluxo sanguíneo renal ou a FG. Entretanto, tal
como exposto no Capítulo 28, mesmo aumentos ligeiros na atividade
simpática renal podem provocar uma redução na excreção de sódio e água,
ao elevar a reabsorção tubular renal.
Os nervos simpáticos renais parecem ser mais importantes na redução da
FG durante distúrbios graves agudos que duram de alguns minutos a
algumas horas, tais como os suscitados pela reação de defesa, isquemia
cerebral ou hemorragia grave. No indivíduo saudável em repouso, o tônus
simpático parece ter pouca influência sobre o fluxo sanguíneo renal.
CONTROLE HORMONAL E AUTACOIDE DA
CIRCULAÇÃO RENAL
Existem vários hormônios e autacoides que podem influenciar a FG e o
fluxo sanguíneo renal, como resumido na Tabela 27-4.
Tabela 27-4 Hormônios e Autacoides que Influenciam a Taxa de Filtração Glomerular
(FG)
Hormônio ou Autacoide Efeito na FG
Norepinefrina ↓
Epinefrina ↓
Endotelina ↓
Angiotensina II ↔ (previne ↓)
Óxido nítrico derivado do endotélio ↑
Prostaglandinas ↑
Norepinefrina, Epinefrina e Endotelina Provocam Constrição
dos Vasos Sanguíneos Renais e Diminuem a FG. Os hormônios
que provocam constrição das arteríolas aferentes e eferentes, causando
reduções na FG e no fluxo sanguíneo renal, incluem a norepinefrina e
epinefrina liberadas pela medula adrenal. Em geral, os níveis sanguíneos
desses hormônios acompanham a atividade do sistema nervoso simpático;
assim, a norepinefrina e a epinefrina têm pouca influência sobre a
hemodinâmica renal, exceto sob condições extremas, como hemorragia
grave.
Outro vasoconstritor, a endotelina, é peptídeo que pode ser liberado por
células endoteliais vasculares lesionadas dos rins, assim como por outros
tecidos. O papel fisiológico desse autacoide não está completamente
esclarecido. Entretanto, a endotelina pode contribuir para a hemostasia
(minimizando a perda sanguínea) quando um vaso sanguíneo é cortado, o
que lesiona o endotélio e libera este poderoso vasoconstritor. Os níveis de
endotelina plasmática também estão aumentados em várias doenças
associadas à lesão vascular, tais como toxemia da gravidez, insuficiência
renal aguda e uremia crônica, e podem contribuir para a vasoconstrição
renal e diminuição da FG, em algumas dessas condições fisiopatológicas.
A Angiotensina II, Preferencialmente, Provoca Constrição das
Arteríolas Eferentes na Maioria das Condições Fisiológicas.
Poderoso vasoconstritor renal, a angiotensina II pode ser considerada como
hormônio circulante ou como autacoide produzido localmente, visto que é
formado nos rins e na circulação. Receptores para a angiotensina II estão
presentes em praticamente todos os vasos sanguíneos dos rins. No entanto, os vasos sanguíneos pré-glomerulares, especialmente as arteríolas aferentes,
aparentam estar relativamente protegidos da constrição mediada pela
angiotensina II, na maioria das condições fisiológicas, associadas à ativação
do sistema renina-angiotensina, tais como dieta pobre em sódio duradoura
ou pressão de perfusão renal reduzida devido à estenose da artéria renal.
Essa proteção se deve à liberação de vasodilatadores, especialmente óxido
nítrico e prostaglandinas, que neutralizam o efeito vasoconstritor da
angiotensina II nesses vasos sanguíneos.
As arteríolas eferentes, entretanto, são muito sensíveis à angiotensina II.
Como a angiotensina II preferencialmente ocasiona constrição das arteríolas
eferentes, o aumento dos níveis de angiotensina II eleva a pressão
hidrostática glomerular, enquanto reduz o fluxo sanguíneo renal. Deve-se
considerar que a formação aumentada de angiotensina II, em geral, ocorre
em circunstâncias associadas à diminuição da pressão arterial ou de
depleção volumétrica que tende a diminuir a FG. Nessas circunstâncias, o
nível aumentado de angiotensina II, ao provocar constrição das arteríolas
eferentes, auxilia prevenindo as diminuições da pressão hidrostática
glomerular e da FG; ao mesmo tempo, porém, a redução do fluxo sanguíneo
renal causada pela constrição arteriolar eferente contribui para o fluxo
reduzido pelos capilares peritubulares, o que, por sua vez, aumenta a
reabsorção de sódio e água, como discutido no Capítulo 28.
Assim, níveis aumentados de angiotensina II que ocorrem com dieta
hipossódica ou com depleção de volume ajudam a preservar a FG e a
excreção normal de produtos indesejáveis do metabolismo, tais como a
ureia e a creatinina, que dependem da filtração glomerular para sua
excreção; ao mesmo tempo, a constrição das arteríolas eferentes, induzida
pela angiotensina II, eleva a reabsorção tubular de sódio e de água, o que
ajuda a restaurar o volume e a pressão sanguínea. Esse efeito da angiotensina II em auxiliar na “autorregulação” da FG é discutido em mais
detalhes adiante neste Capítulo.
O Óxido Nítrico Derivado do Endotélio Diminui a Resistência
Vascular Renal e Aumenta a FG. Autacoide, que diminui a resistência
vascular renal e é liberado pelo endotélio vascular de todos os capilares do
corpo, é o óxido nítrico derivado do endotélio. O nível basal de produção
do óxido nítrico parece ser importante para a manutenção da vasodilatação
dos rins, porque ele permite que os rins excretem quantidades normais de
sódio e água. Portanto, a administração de fármacos que inibem a síntese
normal de óxido nítrico aumenta a resistência vascular renal e diminui a
FG, reduzindo também a excreção urinária de sódio, o que pode causar
aumento da pressão sanguínea. Em alguns pacientes hipertensos ou em
pacientes com aterosclerose, o dano ao endotélio vascular e a produção
prejudicada de óxido nítrico podem contribuir para o aumento da
vasoconstrição renal e para a elevação da pressão sanguínea.
Prostaglandinas e Bradicininas Reduzem a Resistência
Vascular Renal e Tendem a Aumentar a FG. Hormônios e autacoides
que causam vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo renal e da FG
incluem as prostaglandinas (PGE e PGI ) e bradicinina. Essas substâncias 2 2
são discutidas no Capítulo 17. Embora esses vasodilatadores não pareçam
ter importância significativa na regulação do fluxo sanguíneo renal ou da
FG, em condições normais eles podem amenizar os efeitos vasoconstritores
renais dos nervos simpáticos ou da angiotensina II, especialmente os efeitos
constritores sobre as arteríolas aferentes.
Pela oposição da vasoconstrição das arteríolas aferentes, as
prostaglandinas podem ajudar a evitar reduções excessivas na FG e no fluxo
sanguíneo renal. Sob condições de estresse, tais como depleção volumétrica
ou após cirurgias, a administração de anti-inflamatórios não esteroides, como a aspirina que inibe a síntese de prostaglandinas, pode causar